14:44 19 Setembro 2019
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    Diretor do FMI para o Brasil acredita na recuperação do país e na importância do NBD

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    BRICS: organização do futuro (189)
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    O novo diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional para o Brasil e mais 10 países, o economista sergipano Otaviano Canuto, acredita na recuperação econômica do Brasil, é favorável à rediscussão em torno da dívida da Grécia e vê com muito entusiasmo a criação do NBD, o Banco dos BRICS. Ele falou com exclusividade para a Sputnik Brasil.

    Em relação ao país, Otaviano Canuto defendeu a revisão no gasto público e disse acreditar na retomada do crescimento, ressalvando que “tudo dependerá da rapidez do Governo em avançar na agenda de reformas e ultrapassar a fase de instabilidade na estrutura microeconômica”. 

    Sobre a Grécia, cujo ministro das Finanças, Euclid Tsakalotos, anunciou na terça-feira, 11, um novo acordo com os credores, Otaviano Canuto observou:

    “A conclusão a que nós diretores do Board do Fundo Monetário Internacional chegamos nestes últimos dias de reunião sobre a Grécia é de que em breve terá de ser dado um sinal positivo no sentido de se aliviar o peso da dívida do país. Os estudos que fizemos em relação à possibilidade de recuperação da economia grega e da sua capacidade de honrar pagamentos exigem de nós que a Grécia receba este sinal de alívio num futuro próximo.”

    Sobre o Banco dos BRICS, Otaviano Canuto demonstrou grande entusiasmo:

    “Eu considero uma excelente notícia a criação do Novo Banco de Desenvolvimento, a instituição financeira comum a Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Em poucas palavras, devo citar um relatório recentemente produzido pelo Banco Mundial, constatando que, para atender às necessidades de urbanização, adaptação às mudanças climáticas e de necessidade de integração à economia global, e assim por diante, os países em desenvolvimento precisam gastar, cada um, algo em torno de um trilhão de dólares a mais por ano do que gastam hoje em infraestrutura. Então, por um lado há esta necessidade monstruosa de recursos. Por outro lado, há um descompasso enorme entre a necessidade e a oferta destes recursos. Há uma carência enorme para obtenção destes recursos. Depois da crise de 2008, da repercussão em 2009 e do início da recuperação em 2010, estes recursos sumiram. Ora, diante destes fatos, a notícia da criação de uma instituição como o Novo Banco de Desenvolvimento e também do Banco de Investimento e Infraestrutura da Ásia (AIIB, na sigla em inglês) representa um grande alento para o atendimento desta necessidade. Pode ser apenas uma gota d’água, mas, sem qualquer dúvida, é um grande passo para o desenvolvimento de uma parcela considerável da humanidade.”

    Otaviano Canuto é, atualmente, diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional para o Brasil e mais 10 países: Cabo Verde, República Dominicana, Equador, Guiana, Haiti, Nicarágua, Panamá, Suriname, Timor Leste e Trinidad e Tobago. Anteriormente, ele foi vice-presidente do Banco Mundial, diretor-executivo e consultor para as economias dos BRICS junto a esta instituição, além de vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Foi também secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda. 

    Ele tem ainda intensa atividade acadêmica como professor das Faculdades de Economia de duas das maiores instituições de ensino superior no Brasil: a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Campinas (Unicamp).

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    BRICS: organização do futuro (189)

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    Tags:
    economia, Banco de Desenvolvimento do BRICS, Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB), Banco Mundial, FMI, BRICS, Otaviano Canuto, Euclid Tsakalotos, Grécia, África do Sul, Índia, China, Rússia, Brasil
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