05:12 22 Setembro 2019
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    Abdullah al-Thini, primeiro-ministro de um dos governos da Líbia.

    Premiê do governo líbio apoiado pelos EUA e pela Europa renuncia pela TV

    © AP Photo / Alexander Zemlianichenko
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    Em um ato descontrolado, o primeiro-ministro de um dos governos da Líbia, Abdullah al-Thini, anunciou em um programa de TV ao vivo que deixará o cargo. Ele não gostou de receber uma série de perguntas dos telespectadores questionando a eficiência do seu governo.

    “Se eu deixar o cargo resolve, eu anuncio ao vivo que eu estou renunciando. Eu renuncio oficialmente e enviarei a minha renúncia à Câmara dos Deputados no domingo”, afirmou al-Thini.

    No entanto, um dos governos da Líbia afirma que o premiê continuará. Para a renúncia ser oficializada, o primeiro-ministro precisa entregar uma carta ao Parlamento do país com o pedido de renúncia.

    Abdullah al-Thini assumiu o cargo de forma interina em março de 2014, após deixar a chefia do Ministério da Defesa. Um mês depois renunciou sob a alegação de que estaria sendo ameaçado. Mas uma ordem judicial o manteve no cargo até a realização das eleições de julho daquele ano.

    Ahmed Maiteeq foi eleito, mas os perdedores não reconheceram a derrota e a disputa acabou na justiça e com a formação de dois governos. Al-Thini está a frente da administração apoiada pelos EUA e pela Europa montada inicialmente em Benghazi e depois em Tobruk. Há ainda o Congresso Geral da Nação de tendência islâmica, com sede em Trípoli, e o primeiro-ministro eleito por essa casa, Omar al-Hasi.

    O  historiador e especialista em Oriente Médio, membro do Centro Roland Mounier, Gregor Matias, em entrevista à agência Sputnik, disse que é  necessário que ambos os parlamentos — reconhecido e não reconhecido — cheguem a um acordo. 

    "É claro que ambos os governos recebem forte pressão da comunidade internacional, a fim de alcançar um consenso. Eu acho que o objetivo fazer com que se consiga unidade nacional no governo, que vai  manter a situação com dificuldade. Com isso, as Nações Unidas vão enviar uma força internacional para manter este governo e para pôr fim ao caos e, em particular, pôr fim à presença de grupos da al-Qaeda e do Estado islâmico, semelhante ao que está acontecendo na Somália", afirmou o especialista.  

    Desde 2011, quando militantes apoiados pela OTAN derrubaram Muammar Khaddafi do poder. A Líbia está fragmentada e vivendo uma série crise humanitária. Muitos dos cidadãos do país se aventuram em barcos precários e ilegais pelo Mar Mediterrâneo em direção à Itália e tentando se refugiar na Europa. Milhares morrem afogados em naufrágios.

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