13:43 22 Outubro 2017
Ouvir Rádio
    Equipes de resgate no local da queda do MH17 no leste da Ucrânia

    Rússia lamenta que criadores do tribunal sobre MH17 politizaram o assunto

    © Sputnik/ Andrei Stenin
    Mundo
    URL curta
    0 24671

    Moscou lamenta que os iniciadores da criação de tribunal internacional para investigar o acidente do voo MH17 em julho passado na Ucrânia politizaram o assunto e aceleraram demasiado a sua apresentação na ONU, diz um comunicado da Chancelaria russa nesta quinta-feira (30).

    Lembramos que a Rússia vetou nesta quarta-feira no Conselho de Segurança da ONU uma resolução pedindo a criação de um tribunal especial para julgar os responsáveis pela queda do voo MH17 sublinhando várias vezes que esta resolução é contraproducente e extemporânea. 

    “Lamentamos que os iniciadores da sessão terminada ignoraram a nossa sugestão. Em vez disso, eles optaram por apresentar de maneira acelerada a sua opção de criação de um tribunal internacional sem discutir outras medidas”, diz-se no comunicado. 

    Segundo o Ministério do Exterior, os avisos russos sobre o caráter contraproducente e extemporâneo do tribunal não foram considerados. 

    “Nestas circunstâncias a Federação da Rússia, que tentou prevenir a divisão no Conselho de Segurança da ONU por todos os meios possíveis e transferir este assunto numa direção mais construtiva, não achou possível adotar uma decisão politizada forçada no Conselho de Segurança por meio de votar contra ela”, sublinha o comunicado. 

    O redator-chefe da revista Natsionalnaya Oborona (Defesa Nacional), Igor Korotchenko comentou o assunto:

    “A aplicação de veto foi uma decisão forçada porque a criação de tribunal significaria a politização da investigação. Já é conhecido de antemão de que se ocuparia o tribunal. Seria a mesma coisa como no caso do famoso Tribunal sobre a ex-Iugoslávia que culpou só os sérvios e tornou-se um dos instrumentos de pressão política”.

    Ele também explicou as expectativas da Rússia:

    “A Rússia espera que a investigação seja realizada por uma comissão internacional da ICAO [Organização da Aviação Civil Internacional]. E que, entretanto, serão considerados os relatos feitos nomeadamente pela corporação russa Almaz-Antei cujas conclusões <…> testemunham que o míssil que destruiu o Boeing malaio foi um míssil ucraniano do complexo ucraniano Buk M1 <…> Além disso, as coordenadas do lugar de lançamento dizem que esta área ficava sob controle do exército ucraniano em 17 de julho 2014 quando aconteceu o acidente. A Rússia está interessada numa investigação justa e objetiva”.

    Em 17 de julho de 2014, um avião da Malaysia Airlines que fazia o voo MH17 entre Amsterdã e Kuala Lumpur foi abatido no sudeste da Ucrânia (Donbass). Todas as 298 pessoas a bordo da aeronave morreram no acidente. Forças de Kiev e os independentistas da região têm repetidamente culpado um ao outro pela tragédia.

    No dia 15 de julho a Malásia introduziu no Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução sobre a criação de um tribunal internacional de investigação do acidente do voo MH17.

    Tags:
    tribunal internacional, acidente aéreo, investigação, avião, Conselho de Segurança da ONU, Vitaly Churkin, Malásia, Ucrânia, Rússia
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik