01:46 19 Outubro 2017
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    Militantes do Estado Islâmico (EI)

    Opinião: Estado Islâmico emprega armas químicas estrangeiras

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    Estado Islâmico: pior ameaça mundial (299)
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    Os militantes da organização terrorista Estado Islâmico (EI) usaram armas químicas contra a milícia curda e contra a população civil.

    Tais conclusões foram apresentadas por investigadores de duas organizações britânicas, a Conflict Armament Research e a Sahan Research, que fizeram inquéritos nos casos em que os islamistas teriam empregado armamentos proibidos, segundo a CNN. Assim, este foi o primeiro caso documentado de uso das armas químicas pelo EI. 

    Local do atentado em Suruc, perto da fronteira com a Síria
    © AFP 2017/ DICLE NEWS AGENCY / AFP
    Antes, representantes da milícia curda declararam sobre o emprego de cloro por militantes do EI. Além disso, o Ministério das Relações Exteriores australiano falou sobre o recrutamento de técnicos altamente qualificados pelos terroristas com o objetivo de criar suas próprias armas químicas.

    Em entrevista à Sputnik, Ghodrat Ahmadian, especialista em relações internacionais, professor da Universidade Razi comentou: 

    “O problema do uso dos armamentos químicos no Médio Oriente é urgente já há muitos anos. Na história regional contemporânea o tema começou a ser discutido desde a crise síria, quando o Ocidente condenou Damasco oficial por uso de armamentos químicos contra “a oposição armada”. No entanto, parecia que o problema de emprego das armas químicas havia sido resolvido. Os EUA exprimiram um zelo particular, pressionando a comunidade internacional, dizendo que o regime de Bashar Assad poderia empregar estas armas. Embora não houvesse nenhumas provas de tal uso, mesmo assim, o desarmamento químico se realizou na Síria”.

    Além disso, o especialista afirma que o nível da ameaça do EI vai aumentar:

    “Agora aparecem evidências de que terroristas têm armamentos químicos, o que significa que suas ameaças de ataques à escala global podem se tornar realidade”.

    Comentando a questão da origem das armas, Ghodrat Ahmadian disse o seguinte:

    “Provavelmente, os militantes se apoderaram de usinas das armas químicas (já encerradas) e das tecnologias correspondentes e começaram a produção. No entanto, é possível que os armamentos tenham origem estrangeira”. 

    “Mesmo se no futuro o EI não empregue os armamentos químicos, estes incidentes devem ser um sinal para a coalizão contra o grupo terrorista: é necessário cortar os fluxos financeiros ao Estado Islâmico”, conclui o especialista.

    Mas o invés disso, os aliados fazem declarações politizadas tentando determinar os culpados pelos ataques com uso das armas químicas na primavera de 2013. Vale lembrar que em 10 de julho de 2015 os Estados Unidos apresentaram no Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução de criação de um mecanismo para a determinação dos autores dos ataques químicos, embora o incidente já tenha sido resolvido através da firmação do acordo entre a Rússia e os EUA sobre o desarmamento químico da Síria em 14 de setembro, 2013. Então, enquanto os Estados Unidos tentam resolver questões já reguladas, os terroristas usam calmamente os arsenais para seus objetivos.

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    Estado Islâmico: pior ameaça mundial (299)

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    Tags:
    investigação, armas químicas, terrorismo, Estado Islâmico, Oriente Médio, Síria, EUA
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