08:26 21 Outubro 2017
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    “Marcha de dragões” do OTAN na Europa

    Alegada ‘ameaça russa’ custará caro para países-membros da OTAN

    © REUTERS/ Ints Kalnins
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    O alto representante da OTAN em questões de transformação Jean-Paul Paloméros visita a República Tcheca para discutir o orçamento para a defesa da organização. Ele declarou que a segurança não pode ser gratuita.

    O Comandante Supremo Aliado para a Transformação da OTAN, Jean-Paul Paloméros, após a reunião com o chefe do Estado-Maior do exército tcheco, Josef Becvar, declarou que os exercícios Noble Jump realizados em junho na Polônia tinham grande sucesso e foram uma demonstração de capacidades militares.

    Nos exercícios Noble Jump no noroeste da Polônia participaram cerca de 2.100 militares de nove países, a fim de testar a eficácia da nova força de alta prontidão da OTAN – formada na cúpula da aliança de 2014 em reação aos eventos no leste da Ucrânia e conhecida como “ponta de lança” ou Very High Readiness Joint Task Force (VJTF).

    O comandante supremo declarou que a OTAN tem um plano muito ambicioso de três anos para realizar exercícios conjuntos. Uns dos maiores serão realizados nos fins de outubro e início de novembro na Espanha, Portugal e Itália, e deles participarão mais de 30 países.

    Falando com jornalistas após a reunião, Paloméros disse que os países-membros da organização devem fazer mais investimentos de longo prazo na defesa e segurança.

    A República Tcheca nos últimos anos destina ao exército só 1% do PIB – em vez de 2% planejados. Cabe lembrar que no ano passado a coalizão estatal social-democrata da República Tcheca (CSSD), o movimento político de centro-direita (ANO), e a União Cristã e Democrata (KDU-CSL) prometeram aumentar despesas militares até 1,4% do PIB até 2020.

    Na terça-feira (14), Josef Becvar reuniu-se com o ministro da Defesa tcheco, Martin Stropnicky, para discutir o orçamento para o ano que vem e até 2018. O chefe do Estado-Maior espera que as negociações continue em agosto.

    O especialista em defesa, antigo coronel do exército russo Viktor Litovkin comentou a situação à Sputnik:

    “O fato que a OTAN tem repetidamente apelado e continua apelando os seus membros para pagar mais para a defesa, é bem sabido. Ainda em setembro do ano passado na cúpula no País de Gales o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, disse sobre o fato que muitos países da OTAN não cumprem a exigência apresentada vários anos antes de pagar 2% do PIB para a defesa”.

    Mas o especialista fez lembrar que de 28 países da OTAN, só a Estônia, a França e a Grécia pagam estes 2% do PIB.

    “Praticamente por todos pagam aos Estados Unidos, que enchem o tesouro comum da OTAN com mais de 75% de todas as despesas militares. E, é claro, que a chefia da OTAN não só pede, mas exige mais pagamentos para a defesa, e tenta assustar os seus colegas e subordinados com ‘ameaça militar russa’ e a necessidade de realizar manobras e exercícios militares de grande escala”.

    O especialista prosseguiu para comentar a alegada ameaça russa:

    “Quando os países da OTAN gritam sobre a ‘ameaça militar russa’, que não existe, isto parece muito feio e hipócrita, porque a Rússia não ameaça ninguém. As únicas guerras que foram realizadas nos últimos 20 anos sempre foram realizadas pela OTAN. A Rússia não lutou fora dos seus territórios nos últimos 20 anos e nem atacou ninguém”.

    Vale lembrar que ainda em 1 de julho o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, Martin Dempsey, declarou que os Estados Unidos estavam preparando uma nova estratégia militar. O texto do documento sugere que umas ações da Rússia minam a segurança regional.

    Tags:
    PIB, Defesa, investimentos, OTAN, EUA, República Tcheca, Rússia
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