00:58 22 Outubro 2017
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    Membros do grupo ultranacionalista ucraniana Setor de Direita

    Setor de Direita impacienta autoridades de Kiev

    © AFP 2017/ GENYA SAVILOV
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    Ucrânia: campo de batalha (286)
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    O confronto recente em Mukachevo entre representantes do Setor de Direita e a polícia ucraniana provocou pânico entre os políticos ucranianos. Muitos deles receiam que o incidente possa dar origem ao terceiro Maidan, escreve nesta terça-feira (14) o jornal alemão Sueddeutsche Zeitung.

    Segundo a edição, as autoridades de Kiev estão preocupadas por não poderem controlar o Setor de Direita. Além disso, o agrupamento poderá formar “a segunda frente” e mobilizar as suas forças contra o governo atual, opinam jornalistas alemães. Sob condição de anonimato um funcionário público ucraniano disse ao jornal alemão:

    “Talvez este momento seja o ponto de viragem na história ucraniana. Amanhã ou depois de amanhã a situação será seguinte: voluntários contra o exército. Isto é extremamente sério”.

    A revista alemã Der Spiegel considera que o confronto na cidade de Mukachevo no oeste da Ucrânia parece um ensaio de revolta contra as autoridades ucranianas. Para a guerra em Donetsk, Kiev concedeu armamentos aos batalhões voluntários, incluindo o assim chamado Corpo Voluntário Ucraniano do Setor de Direita.

    Agora os radicais lançam o desafio às autoridades estatais, abrindo “a segunda frente” em Mukachevo que fica somente em  40 quilómetros da fronteira húngara.

    Tudo sob controle!
    Tudo sob controle!

    É de lembrar que a situação entrou em fase quente na manhã do sábado (11) quando os representantes do Setor de Direita, armados de metralhadoras, atiraram contra cidadãos e a polícia em Mukachevo em resultado, três pessoas morreram, treze foram feridos. Curiosamente a proximidade de Mukachevo da fronteira húngara já fez este país reforçar a proteção da fronteira com a região ucraniana da Transcarpátia e reduzir a entrada de cidadãos ucranianos no seu território.

    Neste conflito Dmitry Yarosh, líder do Setor de Direita e atual deputado da Suprema Rada, está desempenhando o papel do “político ajuizado”: logo partiu para Mukachevo com o objetivo de resolver a crise numa maneira pacífica.

    No entanto, Dmitry Yarosh afirma que sua fidelidade às autoridades ucranianas tem limites, segundo Der Spiegel. Numa entrevista ele adverte Kiev:

    “Nossa revolução não está terminada”.

    O Setor de Direita é um movimento que reúne uma série de organizações radicais nacionalistas na Ucrânia. Em março de 2014, o movimento foi transformado em partido político, mantendo ao mesmo tempo o seu braço armado. O movimento já entrou em confrontos com a polícia em janeiro e fevereiro de 2014 e em abril assaltou edifícios administrativos em Kiev. Depois, o movimento aderiu ao exército ucraniano para esmagar os protestos no leste da Ucrânia.

    Em novembro de 2014 a Corte Suprema da Rússia reconheceu o Setor de Direita como uma organização extremista e proibiu sua atividade no território russo. Em janeiro de 2015, na Rússia o grupo foi incluído na lista de organizações proibidas; o líder do movimento Dmitry Yarosh enfrenta igualmente acusações de incitação à atividade terrorista.

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    Ucrânia: campo de batalha (286)

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    Opinião: Setor de Direita semeia terrorismo nas fronteiras da UE
    Tags:
    extremismo, Setor de Direita, Dmitry Yarosh, Ucrânia
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