05:57 23 Outubro 2017
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    Mistral: França pode vender ao Brasil navios construídos para a Rússia?

    © AFP 2017/ GEORGES GOBET
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    Já que o acordo sobre Mistral de 1,3 bilhões de dólares foi suspenso por um prazo indeterminado, a França precisa desesperadamente de uma solução para o problema que ela própria criou: o que fazer com os navios de guerra que Paris se recusa a entregar à Rússia?

    Vendê-los aos terceiros países é considerado como o melhor dos piores soluções disponíveis para a França. Canadá, China e Estados Unidos têm sido repetidamente nomeados como compradores potenciais, mas esses acordos são altamente improváveis para realizar.  The National Interest, uma revista bimensal americana, escreve que este é um caso especial para o Brasil, cuja frota coincidentemente precisa de um navio capitânia para servir como um centro de comando flutuante.

     

    O fim do caminho?
    © Sputnik/ Vitaly Podvitski
    O fim do caminho?

    "Um navio de assalto anfíbio, como o Mistral, dá para a Marinha capacidade de executar um papel de liderança independente em uma crise litoral", a revista observou, referindo-se especificamente às operações de ajuda humanitária.

    "Vários países latino-americanos têm exprimido frustração em relação à sua capacidade de realizar operações de socorro marítimas independentemente dos Estados Unidos", escreve a revista, citando uma operação de ajuda humanitária após o terremoto de 2009 no Haiti como um exemplo. Brasil estava ansioso de prestar ajuda humanitária, mas foi afastado pelos EUA. 

    A compra pelo Brasil dos porta-helicópteros Mistral facilitaria também tais operações do exército como o transporte rápido de tropas, veículos blindados e diferentes aeronaves.

    A capitânia da Marinha do Brasil — o porta-aviões, apelidado de São Paulo — foi encomendado em 1963 pela Marinha francesa. Paris transferiu o navio da classe Clemenceau ao Brasil em 2000, onde se deverá manter-se em serviço até 2039.

    Naquele momento o navio será de 76 anos, que está muito além da idade da reforma para os equipamentos militares. Além disso, São Paulo está em constante necessidade de reparos e manutenção.

    Porta-aviões brasileiro São Paulo (A12)
    Porta-aviões brasileiro São Paulo (A12)

    O Brasil não pode construir um porta-aviões por si mesmo e ninguém está vendendo estes navios no momento. Um Mistral ou dois poderia assumir o papel de liderança em vez do velho São Paulo.

     

    Porta-helicópteros Vladivostok, da classe Mistral
    © AP Photo/ Laetitia Notarianni
    Porta-helicópteros Vladivostok, da classe Mistral

    "Os Mistrais podem aumentar a influência do Brasil na região não apenas por existir, mas também fazendo as coisas em uma base diária. Eles poderiam tornar-se imediatamente os navios de guerra de maior impacto que possui a marinha da América do Sul desde os primeiros dias do século XX. Os dois navios poderiam até mesmo operar ao longo da Amazônia, que é navegável por navios de grande porte", conclui a revista.

    A Rússia não precisa de Mistrais porque tem sua própria tecnologia de construir navios desse tipo. O crescente interesse mundial sobre este tipo de navio abre possibilidades muito boas de exportação, especialmente considerando o fato de que a Rússia tem laços muito estreitos com o Brasil. 

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    Tags:
    porta-helicópteros, navio, Mistral, França, Rússia, Brasil
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