07:19 18 Outubro 2017
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    Vista da cidade de Srebrenica na Bósnia

    Consenso inesperado: especialista judeu e filósofo muçulmano negam genocídio em Srebrenica

    © AFP 2017/ STRINGER
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    Diretor do Centro Simon Wiesenthal em Israel, Efraim Zuroff, opina que o massacre de muçulmanos em Srebrenica em 1995, durante a guerra de Bósnia, não foi um genocídio. Curiosamente a opinião dele é partilhada pelo filósofo islâmico Imran Nazar Hosein.

    Numa entrevista para a Sputnik, Zuroff manifestou que às vezes o termo “genocídio”, bem como o termo “holocausto” é usado inadequadamente. 

    “É preciso ter muito cuidado com o uso da palavra ‘genocídio’. Eu não nego que as foças militares sérvias mataram muçulmanos em Srebrenica, isto nunca devia ter acontecido e os culpados devem comparecer perante um tribunal. Mas em Srebrencia não houve um genocídio. Isto porque os sérvios em primeiro lugar deixaram mulheres e crianças sair. Depois disso começou o processo de politização dos acontecimentos”, disse o diretor do Centro Simon Wiesenthal, Efraim Zuroff, em entrevista à Sputnik. 

    Zuroff opina que a política está por trás da resolução britânica sobre Srebrenica, vetada pela Rússia no Conselho de Segurança da ONU. 

    Lembramos que no dia 8 de julho a Rússia vetou no Conselho de Segurança o projeto de resolução proposto pelo Reino Unido e EUA que classificava o massacre de 8.000 muçulmanos bósnios em Srebrenica em Julho de 1995, durante a guerra na Bósnia, como “genocídio”, bem como condenava os crimes de guerra e crimes contra a humanidade durante o conflito.

    Segundo diz o diretor do Centro Simon Wiesenthal, as forças ocidentais quiseram transformar os crimes sérvios durante as guerras dos anos noventa em um símbolo para justificar as suas ações na Bósnia. Srebrenica, como a tragédia mais horrível, serviu como esse símbolo. Ao mesmo tempo, essas pessoas, como Bill Clinton [então presidente americano], recusaram reconhecer como genocídio os acontecimentos no Ruanda. Exatamente porque ele não quis reconhecer estes acontecimentos como genocídio, morreram tantas pessoas inocentes.  

    Curiosamente a opinião de Zuroff é partilhada pelo filósofo islâmico Imran Nazar Hosein que nesta segunda-feira (13) se dirigiu aos muçulmanos dos Bálcãs. Ele chamou de “obscura” a política que impôs a opinião que os sérvios cometeram genocídio de muçulmanos. Acrescentou que tal política está sendo realizada pelas mesmas instituições que deixaram acontecer o massacre em Srebrenica. 

    "Estou convencido de que a maioria dos cristãos ortodoxos na Bósnia e Herzegovina, Sérvia e em toda a região condenou o massacre de muçulmanos em Srebrenica", disse Imran Nazar Hosein.

    Ele acredita que o que aconteceu não era parte de um plano maior, ao contrário da situação na Alemanha nazista, onde o genocídio era a política oficial das autoridades.

    O filósofo e teólogo apelou ao governo sérvio a realizar um referendo entre os cristãos ortodoxos na Sérvia e na Bósnia e Herzegovina, para entender o que as pessoas pensam sobre o que aconteceu em Srebrenica:

    "Este é o melhor caminho. E se eles disserem que condenam o que aconteceu, então você não pode chamá-lo de genocídio. Então você precisa de punir os responsáveis, e não todo o povo, como o Reino Unido pretende fazer com a sua resolução".

    Hossein disse que a Rússia agiu com muita sabedoria ao vetar a resolução, "que só deitava combustível no fogo."

    A Bósnia e Herzegovina anunciou em 1992 a sua separação da Iugoslávia, o que levou ao início da guerra no país, com a participação de muçulmanos bósnios, sérvios e croatas, que durou até 1995. Cerca de 100 mil pessoas morreram na guerra da Bósnia. O cerco de Srebrenica, declarada zona sob a proteção da ONU, e as execuções em massa da população masculina da cidade, em julho de 1995, são considerados os episódios mais sangrentos da guerra da Bósnia.

    Tags:
    genocídio, vítimas, guerra, Conselho de Segurança da ONU, Bill Clinton, Bálcãs, Bósnia-Herzegovina, Sérvia, Israel, Reino Unido, Rússia
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