12:33 03 Agosto 2021
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    O Vaticano informou ter ficado surpreso ao saber que o Cristo "crucificado" na foice e no martelo que o Papa Francisco recebeu do presidente da Bolívia, Evo Morales, na quarta-feira (8), havia sido originalmente esculpido pelo padre jesuíta espanhol Luis Lucho Espinal, assassinado em 1980.

    O presente foi recebido pelo Pontífice de forma constrangedora, uma vez que unia Jesus ao símbolo do comunismo, regime que perseguiu e matou muitos cristãos. No entanto, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, afirmou que o Papa não teve qualquer reação negativa ao receber a réplica da escultura.

    Muitos cristãos, porém, usaram as redes sociais para manifestar repúdio ao ato de Morales. O bispo espanhol José Ignacio Munilla disse no Twitter que o "cúmulo da soberba é manipular Deus a serviço de ideologias alheias". O presidente boliviano também foi criticado pela oposição do país, que afirmou que o chefe de Estado se aproveitou da situação para expôr sua posição ideológica.

    Depois do encontro com Evo Morales, o Papa Francisco foi ao local do assassinato do padre Luis Espinal. Ele morreu em 21 de março de 1980 executado por um grupo paramilitar. O Pontífice o definiu como um "irmão nosso, vítima dos interesses que não queriam que se lutasse peal liberdade".

    "Ele (Padre Espinal) pregava o Evangelho, o Evangelho que nos leva à liberdade e que nos faz livres. O Evangelho perturbava e por isso assassinaram-no", disse o Papa.

    Luis Lucho Espinal nas em 1932, em San Fructuoso de Bages, na Espanha. Aos 30 anos foi ordenado sacerdote e, em 1968, rumou para a Bolívia como missionário da Ordem dos Jesuítas, a mesma do Papa Francisco. Lutou pela democracia e pelas causas sociais no país sul-americano, sendo por isso sequestrado, torturado e morto a tiros.

    Tags:
    Vaticano, Bolívia, Papa Francisco, Evo Morales, Jesus Cristo, Federico Lombardi, Luis Espinal, José Ignacio Munilla, Igreja Católica, Twitter, Ordem dos Jesuítas, Evangelho, visita, comunismo, assassinado, escultura
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