13:43 22 Outubro 2017
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    Paquistão e Índia podem ser os novos membros permanentes da Organização para Cooperação de Xangai (SCO)

    Adesão de Índia e Paquistão à SCO pode ser anunciada nesta sexta-feira

    © AFP 2017/ PRAKASH SINGH
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    A cidade russa de Ufá sediará em 10 de julho a reunião do Conselho de Chefes de Estado dos países-membros da Organização para Cooperação de Xangai (SCO). Espera-se que ao fim do encontro seja anunciado o início do processo de adesão da Índia e do Paquistão como novos membros permanentes desta organização.

    Apresentando-se nesta quarta-feira no centro de imprensa das cúpulas de BRICS e SCO, em Ufá, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, declarou que a inclusão da Índia e do Paquistão na SCO criará oportunidades para melhorar as relações entre esses dois países.

    Nas palavras do chanceler russo, quanto maior for o número de formatos de interação e diálogo entre Índia e Paquistão, maiores serão as possibilidades de ajudar esses dois países vizinhos a superar as divergências ainda existentes entre eles. 

    As difíceis relações entre Nova Deli e Islamabad têm sido um dos principais obstáculos para o aumento de status dos dois países junto à SCO, com ambos ocupando hoje a posição de observadores na organização. Essa barreira, no entanto, parece ter sido finalmente vencida. Primeiramente porque Índia e Paquistão têm dado passos claros de reaproximação. Em segundo lugar porque formou-se um consenso de que as diferenças em si não são motivo para impedir a entrada dos dois países na organização.

    Sergei Lavrov explicou aos jornalistas que na atual formação da SCO, também existem divergências entre alguns de seus países-membros. Segundo o ministro, a organização fornece uma plataforma, cria uma atmosfera para minimizar ao máximo essas diferenças, para debater as dificuldades existentes e encontrar soluções.

    A opinião de Lavrov é também compartilhada por outros parceiros da Rússia na SCO. E é importante destacar que a adesão da Índia e do Paquistão é saudada pela China, um país que está interessado na estabilização da situação no Sul da Ásia. Pelo fato de possuir um histórico complicado de relações com a Índia, a China demorou para enxergar com bons olhos a inclusão desse país no bloco. 

    Essa difícil posição chinesa frente à expansão da organização foi explicada em entrevista à Sputnik pelo vice-diretor do Departamento para Assuntos da Europa e Ásia Central da China, Gui Congyou. Na opinião do diplomata chinês, a expansão da SCO representa um importante indício do aumento de sua autoridade.

    "Tenho a certeza de que nessa quinta reunião de cúpula da SCO os membros da organização avaliarão e aprovarão a intenção da Índia em elevar o seu status junto à SCO. É claro que a ampliação da SCO e o surgimento de novos membros permanentes deverão seguir os devidos procedimentos jurídicos adotados. Os novos países-membros da SCO devem cumprir todos os documentos relativos à cooperação assinados no âmbito da SCO. A Índia é um país importante com economia em desenvolvimento. Nós esperamos que o aumento do status da Índia junto à SCO reflita de forma positiva sobre a cooperação econômica da SCO, inclusive sobre o alinhamento de projetos do Cinturão Econômico da Rota da Seda e a União Econômica Eurasiática" – disse Gui Congyou.

    Ainda de acordo com Lavrov, Moscou sempre partiu do pressuposto de que a adesão de importantes atores geopolíticos como a Índia e o Paquistão tornará a SCO mais forte e influente. E "é simbólico que o processo de aumento de status de dois países junto à SCO seja iniciado durante a presidência da Rússia na organização. A adesão da Índia e do Paquistão elevará não apenas a abrangência geográfica e o potencial econômico da SCO, mas também a sua capacidade de solucionar difíceis problemas regionais, inclusive ligados à ameaça terrorista, que ainda persiste nesta região".

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    Tags:
    Cinturão Econômico da Rota da Seda, cúpula da SCO, Organização de Cooperação de Xangai (SCO), Gui Tsunyu, Sergei Lavrov, Nova Deli, Ásia Central, Ufa, Paquistão, Europa, Índia, China, Moscou, Rússia
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