01:41 19 Outubro 2017
Ouvir Rádio
    O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras.

    Tsipras quer ver ‘uma luz no fim do túnel'

    © AFP 2017/ Patrick Domingo
    Mundo
    URL curta
    236061

    O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras afirmou no Parlamento Europeu que a Grécia foi um laboratório ‘falhado' de austeridade ao longo dos últimos cinco anos, austeridade que condenou sua economia a um ‘círculo vicioso de recessão'. Ele garantiu que não vai voltar a cometer ‘os erros do passado'.

    O primeiro-ministro da Grécia pediu um programa de resgaste da União Europeia que represente ‘uma luz no fim do túnel' para seu país, em discurso nesta quarta-feira diante do Parlamento Europeu.

    ‘As ações da Grécia não são destinadas a brigar com a Europa, mas a salvar o país e a zona do euro', disse Tsipras.

    ‘A Europa está no ponto de ruptura: a assim chamada crise grega é, na verdade, um ponto fraco da Europa. Temos de encontrar a solução definitiva para a crise da dívida, que se alimenta de si mesma. Esse assunto é um problema europeu, e não só grego. E, por isso, exige uma solução europeia', disse Tsipras.

    ‘A recente proposta da Grécia aos credores internacionais do país para resolver a questão da dívida é destinada a salvar os bancos europeus e gregos', salientou o primeiro-ministro.

    De acordo com Tsipras, o seu país quer investimento e reestruturação. Ele revelou alguns pontos que poderão constar da proposta grega que tem de ser apresentada até sexta-feira.

    ‘A nossa proposta para as instituições inclui: reformas credíveis baseadas numa repartição justa de encargos. Isto inclui a cobertura adequada das necessidades financeiras do país. Inclui um programa de investimento forte. Precisamos de um programa de crescimento. Sem crescimento, não conseguimos sair da crise'.

    Grécia tenta escapar da 'prisão' europeia
    © Sputnik/
    Grécia tenta escapar da 'prisão' europeia

    Falando sobre o referendo, Tsipras afirmou, que  ‘o voto ‘Não' dos gregos foi corajoso. Não foi para quebrar negociações. É uma mensagem clara de que a Europa tem ser democrática ou terá imensas dificuldades em sobreviver'.

    Tsipras disse aos parlamentares europeus que o voto dos eleitores deu um ‘mandato para redobrar os nossos esforços a fim de obter uma solução socialmente justa e economicamente sustentável para o problema grego'.

    A declaração do presidente do Conselho Europeu Donald Tusk na conclusão da reunião da Zona do Euro de terça-feira deu Tsipras tempo até domingo para chegar a uma proposta mutuamente aceitável.

    ‘É uma corrida contra o tempo para reconstruir a confiança. O prazo termina nesta semana', disse o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, em Estrasburgo.

    A austeridade que a Europa estava impondo ao povo grego simplesmente não está funcionando. As exigências financeiras feitas pela Europa esmagaram a economia grega, levaram ao desemprego em massa, a um colapso do sistema bancário, fizeram a crise da dívida externa ainda muito pior, com uma dívida crescente, que já atinge 175 por cento do PIB.

    Em carta aberta à chanceler alemã Angela Merkel, os economistas Thomas Piketty e Jeffrey Sachs escrevem: ‘O remédio preparado em Berlim e Bruxelas é pior do que a própria doença'. Eles e pedem a Merkel uma correção na política da austeridade para evitar danos maiores no futuro.

    ‘Pedimos que assuma um papel de liderança vital para a Grécia, para Alemanha e para o mundo. Suas ações desta semana entrarão para os livros de História. Contamos com a senhora para passos corajosos e generosos em prol da Grécia', escrevem os economistas.

    Mais:

    Alexis Tsipras faz duro discurso contra o FMI e o BCE no Parlamento Europeu
    Grécia confirma a intenção de permancer na zona do euro
    Tags:
    dívida, crise, Alexis Tsipras, Angela Merkel, zona do euro, União Europeia, Grécia
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik