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    Um estudo divulgado pela OMS nesta terça-feira (7) revela que o número de vítimas de doenças relacionadas ao tabagismo pode chegar a 8 milhões por ano até 2030, caso não sejam tomadas medidas mais severas para controlar a “epidemia do tabaco”. A Rússia está entre os países que estão combatendo com eficácia o vício do tabagismo.

    O relatório “A Epidemia Mundial de Tabaco 2015”, da Organização Mundial da Saúde, aponta que uma pessoa morre de doenças relacionadas ao tabaco a cada seis segundos no mundo, o que representa cerca de 6 milhões de pessoas por ano. O número é maior do que a soma da quantidade de vítimas de Aids, malária e tuberculose.

    O chefe do Setor de Pneumologia e coordenador dos Programas de Tuberculose e Tabagismo do Hospital Rafael de Paula Souza, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, pneumologista Alexandre Milagres, endossa o que diz a OMS – que o tabagismo é hoje o principal problema de saúde pública no mundo, por causa da quantidade de doenças que o tabaco provoca e pela disseminação desses males no planeta. “É uma doença realmente universal, com uma mortalidade alta na Europa, África, Ásia e Américas. Enfim, ela não poupa continentes, povos, não é uma doença de gênero, ou que escolha raças, é uma doença realmente de distribuição planetária.”

    Segundo a Organização Mundial de Saúde, a Rússia está entre os países que estão combatendo com eficácia o vício do tabagismo, tomando medidas radicais e proibindo o fumo em locais públicos. Mesmo assim, o país registra 400 mil pessoas mortas por ano em decorrência do vício. No Brasil, o médico Alexandre Milagres informa que a mortalidade por conta do tabagismo também vem caindo. “O Brasil tem uma mortalidade menor. Nós temos obtido êxito, e essa mortalidade vem decaindo. Os dados mais recentes são de 200 mil pessoas morrendo pelo uso de tabaco por ano. Nos EUA são 480 mil por ano, e na China, que é uma das principais preocupações, 1 milhão de pessoas morrendo todos os anos.”

    O pneumologista ressalta que na China há o agravante ainda de que a indústria do tabaco vem incentivando o aumento do uso do produto entre as mulheres chinesas. “As chinesas fumam um percentual pequeno, cerca de 5%, o que é diferente das mulheres ocidentais. O que a gente está percebendo são campanhas muito fortes que estão sendo feitas para trazer esse potencial feminino para o tabagismo. E, segundo estudos, apesar de chamarmos as mulheres de sexo forte, em relação ao tabagismo as mulheres são a parte mais fraca da corda, porque as complicações do tabagismo nas mulheres são ainda mais graves do que nos homens.”

    A OMS faz um histórico das medidas mais recentes seguidas pela Rússia no combate ao fumo. Em fevereiro de 2013, o país começou a adotar restrições ao tabaco em locais públicos. A partir de junho do ano passado, as restrições se estenderam, e já não é mais possível fumar naqueles ambientes. A OMS só ressalta que em alguns ambientes fechados, como discotecas e casas noturnas, ainda há uma tolerância. O pneumologista Alexandre Milagres destaca o esforço do Presidente Vladimir Putin em tomar as rédeas no combate ao tabagismo na Rússia. “Nós temos acompanhado a evolução do movimento pelo controle do tabagismo da Rússia, e o que a vemos é que a postura do Presidente Putin em relação a essa matéria é claramente favorável às medidas sanitárias de controle. É importante que o primeiro mandatário do país assuma de frente esse esforço, e o que se nota é que o Presidente Putin tem mostrado que deseja que o controle seja feito.”

    Para o Dr. Milagres, a medida da Rússia no sentido de cada vez limitar os espaços para o fumo certamente vai alcançar todo e qualquer ambiente fechado, e será só uma questão de tempo. “O Parlamento russo, já que tomou as outras medidas, certamente vai regulamentar melhor essa legislação, e as pessoas em ambientes fechados vão ser mais protegidas.”

    Em seu relatório, a Organização Mundial de Saúde recomenda que os governos aumentem os impostos sobre os cigarros, sugerindo que cheguem a 75% do preço total de um maço de cigarros. O estudo mostra, porém, que em muitos países a taxação sobre cigarros é extremamente baixa, e alguns nem fazem incidir impostos sobre o produto. Para a OMS, a taxação do tabaco é uma forma de fazer as pessoas parar de fumar ou diminuir o consumo.

    De acordo com o médico Alexandre Milagres, o Brasil vem seguindo a regra do aumento da tributação sobre o tabaco para diminuir o número de usuários. “O Brasil faz parte desse esforço também, porque os estudos mostraram que existem algumas ações que, implementadas, têm resultados muito significativos. No tabagismo, pode-se até tomar medicamentos, mas as principais medidas são políticas e administrativas, que têm um efeito benéfico extraordinário, como impedir o fumo em ambientes fechados. Muitas pessoas não começam a fumar justamente porque vão ter que se deslocar para ambientes abertos. Outra medida é advertir a sociedade. É preciso colocar, por exemplo, imagens nos maços de cigarros mostrando quais são as doenças, pois muitas pessoas só descobriram os efeitos do fumo depois de ver as imagens, como gerar um aborto, ou parto prematuro.”

    Tags:
    tabagismo, OMS, Brasil, Rússia
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