21:16 12 Dezembro 2019
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    P5+1 negociações sobre programa nuclear do Irã

    Negociações com Irã avançam apesar dos protestos de Israel

    © AFP 2019 / FABRICE COFFRINI
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    No auge das negociações sobre o programa nuclear iraniano, em Viena, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, levantou uma nova onda de protesto contra a assinatura de um acordo definitivo com o Irã. As principais preocupações de Netanyahu recaem sobre o levantamento das sanções econômicas contra a República Islâmica.

    No domingo (5), o premiê israelense atentou para o crescente aumento de concessões no diálogo. Nas suas palavras, o progresso das conversações em Viena "não representa um avanço, mas sim um colapso", já que diplomatas do sexteto estão tentando chegar a um acordo antes do prazo-limite de 7 de julho. Qualquer acordo precipitado, no entanto, segundo Netannyahu, culminaria no fim das sanções de longo prazo contra o Irã.

    Contudo, apesar da forte pressão exercida por Israel, o processo de negociações parece cada vez mais próximo de seu objetivo. Mesmo que os detalhes das conversações não tenham sido divulgados oficialmente, observadores destacam que quase todas as etapas já foram superadas, e diversos diplomatas, tanto russos, quanto iranianos, expressam a certeza de que um acordo será alcançado.

    O cientista político e especialista iraniano em Oriente Médio, Ardeshir Pashang, revelou em entrevista à Sputnik que as conversações entre o sexteto de mediadores internacionais (EUA, Rússia, China, Alemanha, Reino Unido e França) e o Irã sobre a questão nuclear podem se estender até o final dessa semana.

    "Muitos diplomatas – representantes de cada um dos lados, – bem como especialistas, observadores, jornalistas, apontam que uma série de questões continua pendente. No entanto, isso não é motivo para desespero. Todas as consultas estão sendo realizadas conforme planejado, seguindo um programa previamente definido. Anteriormente, tanto John Kerry, quanto Mohammad Javad Zarif, destacam que os lados estão mais próximos do que nunca de um acordo final. De quanto tempo exatamente eles vão precisar? Essa questão por enquanto está em aberto. Talvez os lados cheguem a um acordo em 48 horas, mas é possível que as negociações se estendam até o final da semana. De qualquer maneira, a delegação iraniana está preparada para prolongar as negociações em caso de necessidade. Mas desde já é possível dizer que não há empecilhos para que um acordo nuclear seja alcançado" – disse Pashang.

    Já o jornalista iraniano Behrooz Shojaee, que encontra-se no centro de imprensa do hotel Coburg, em Viena, onde estão sendo travadas as negociações, disse em entrevista à Sputnik que a assinatura de um acordo final entre o sexteto e Irã poderá ser anunciada na quarta-feira (8).

    "Ainda na sexta-feira os jornalistas ligados aos negociadores supunham que o encerramento bem-sucedido das negociações seria anunciado em 6 de julho. No entanto, isso não aconteceu. Hoje foi decidido promover uma enquete entre os jornalistas do centro de imprensa. A pergunta foi formulada da seguinte maneira: "Na sua opinião, quando o acordo será alcançado?". As opções de resposta eram as seguintes: "Na terça-feira", "Na quarta-feira" ou "Na quinta-feira". Essa opções de resposta não surgiram de forma aleatória. Ontem, um dos meus colegas conseguiu questionar Zarif sobre os prazos, e ele apontou para os dias de terça, quarta e quinta-feira. O chanceler iraniano destacou, no entanto, que "quarta-feira é a data mais provável para o acordo"." – disse Shojaee.

    Segundo Shojaee, atualmente a iniciativa nas conversações não está do lado da República Islâmica. Nas suas palavras, "os negociadores iranianos estão tendo que promover consultas em Viena coordenando sua posição quase que em tempo real com Teerã, onde o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amana, encontra-se em visita oficial".

    "As conversações estão acontecendo em uma atmosfera amigável, mas destacam-se pela extrema intransigência dos participantes. Cada um dos lados quer sair vitorioso e não pretende recuar. Apesar disso, o Ocidente deve levar em conta que mediante um cenário negativo (caso as negociações de Viena não deem resultado) o Irã dificilmente fará concessões ou suavizará sua posição. Logo, ficará muito mais difícil para se chegar a um acordo do o é atualmente" – destacou Shojaee.

    Israel vem se opondo fortemente ao levantamento das sanções em troca de cortes no programa nuclear iraniano, alegando que isso levaria à criação da bombas atômicas pelo Irã e ajudaria a República Islâmica a expandir a sua rede global de terrorismo. Netanyahy chegou a condenar um acordo preliminar alcançado entre o sexteto e o Irã no início deste ano, dizendo que que o acordo almejado seria ainda pior do que aquele que previamente permitiu a Coreia do Norte a promover o seu programa nuclear.

    Enquanto as negociações se estendem, a imprensa israelense preconiza uma nova onda de oposição às negociações da questão nuclear iraniana por parte de Israel. Segundo o jornal The Times os Israel, as autoridades do país pretendem pressionar o Congresso norte-americano a barrar o acordo, caso este seja alcançado. Muitos em Jerusalém temem, no entanto, que esta seja uma causa perdida, dada a perspectiva de que os eventuais benefícios econômicos da retomada de negócios com o Irã superem significativamente as considerações políticas de Israel.

    Tags:
    negociações, acordo nuclear, programa nuclear iraniano, sexteto, Benjamin Netanyahu, Irã
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