03:03 22 Julho 2019
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    A cidade de Xangai, na China, abrigará a sede do Novo Banco de Desenvolvimento, o chamado Banco do BRICS

    Banco dos BRICS pronto para ser lançado após ratificação pela China

    © AFP 2019 / JOHANNES EISELE
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    BRICS: organização do futuro (189)
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    A China ratificou por fim, nesta quarta-feira, a criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) dos BRICS. Foi o último, quinto país do grupo a fazê-lo.

    Anteriormente, o NBD já fora ratificado pela Rússia, Brasil, Índia e África do Sul. A Rússia foi o primeiro país a ratificar a criação da nova entidade financeira, que é considerada por economistas como uma alternativa séria às instituições tradicionais, como o Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI).

    O Novo Banco de Desenvolvimento começará a funcionar em 7 de julho, um dia antes da cúpula presidencial dos BRICS, que terá lugar em Ufá, na Rússia. A Sputnik irá fazer a cobertura detalhada do evento, tanto no site, como nas redes sociais — Facebook e Twitter.

    Em 7 de julho, próxima segunda-feira, terá lugar em Moscou a sessão inaugural do Conselho Executivo do novo banco.

    O banco permitirá ao grupo conseguir mais independência financeira internacional para os países emergentes. As funções administrativas serão compartilhadas entre representantes de diferentes países. A saber: o NBD terá sua sede em Xangai, na China, o vice-presidente do banco é o brasileiro Paulo Nogueira Batista Júnior, o presidente do Conselho Executivo é o russo Anton Siluanov (ministro das Finanças), e o presidente do NBD, o banqueiro indiano Kundapur Vaman Kamath.

    O organograma da instituição será sujeita a rotação, como toda a estrutura dos BRICS. Os gerentes e presidentes das instituições irão mudar anualmente.

    Para Yakov Berger, do Instituto do Extremo Oriente, consultado pela Sputnik China, a ratificação, pela China, da criação do NBD é um passo tanto econômico, como político:

    "É um passo financeiro e político, naturalmente, até porque a China tenciona diversificar tanto as suas relações econômicas, como a sua força política <…> A decisão atual da China é mais um passo no sentido da eliminação da hegemonia do Banco Mundial e FMI, onde quem domina são os EUA e a UE. Os BRICS criam uma alternativa para o desenvolvimento, para o financiamento de diversos projetos. Através disso, a ideia de policentrismo mundial é realizada".

    Para o especialista russo Aleksandr Salitsky, do Instituto da Economia Mundial e Relações Internacionais da Academia das Ciências da Rússia, a China possui até agora legítima liderança nos BRICS, por causa da sua atividade financeira:

    "A China já mostrou a toda a Humanidade uma coisa bastante interessante — ela confirma, bastante rápido com dinheiro todas as suas iniciativas".

    Delegados dos BRICS em cerimônia de assinatura do acordo de criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), em 15 de julho de 2014, na cidade brasileira de Fortaleza
    © AFP 2019 / YASUYOSHI CHIBA
    Delegados dos BRICS em cerimônia de assinatura do acordo de criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), em 15 de julho de 2014, na cidade brasileira de Fortaleza

    O cientista não nega que haja uma "expansão" da China — mas essa é, para ele, diferente e até mais "agradável", comparada com a dos Estados ocidentais, motores da globalização.

    Já para o vice-chefe do Centro de Pesquisa dos BRICS na China, Ren Yuanzhe, o NBD "criará condições ainda mais favoráveis para a cooperação econômica entre os países do grupo e outros Estados emergentes".

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    Tags:
    cúpula, cúpula dos BRICS, Banco de Desenvolvimento do BRICS, BRICS, Paulo Nogueira Batista Junior, Anton Siluanov, Ufa, África do Sul, Índia, China, Rússia, Brasil
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