21:02 28 Setembro 2021
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    Um tribunal da Argentina ordenou no último final de semana o congelamento dos bens e ativos de três petrolíferas britânicas, uma americana e uma franco-italiana que realizavam prospecção perto das ilhas Malvinas. Segundo a justiça, as empresas estariam realizando exploração ilegal dos recursos naturais da região.

    A resolução, emitida pela juíza federal Lilian Herraez a partir do pedido realizado por um promotor argentino junto à Unidade de Recuperação de Ativos da Procuradoria-Geral no último 21 de abril, tem como alvo as companhias Premier Oil Plc, Rockhopper Exploration Plc, Falkland Oil and Gas Ltd, Noble Energy Inc e Edison International Spa, acusadas de cometer graves e irreparáveis danos ambientais durante a realização de atividades ilícitas nas águas do Atlântico Sul. 

    O embargo, que inclui "o sequestro de navios, de uma plataforma submarina e de contas bancárias", supera a marca dos 156 milhões de dólares. A ordem, segundo a Procuradoria, será encaminhada, pela chancelaria argentina, aos tribunais dos países "onde se encontrem radicados os ativos identificados". Mas, de acordo com a emissora inglesa BBC, ainda há dúvidas sobre como a medida será implementada. 

    As ilhas Malvinas (chamadas de Falkland Islands pelos britânicos) são objeto de uma disputa territorial entre a Argentina e o Reino Unido há várias décadas. Em 1982, forças argentinas conseguiram retomar temporariamente, por 10 semanas, o controle do arquipélago, mas acabaram sendo derrotadas, em seguida, pelas tropas britânicas, ao custo de 650 vidas argentinas. Desde então, Londres tem se empenhado para expandir a sua presença militar na região, com a construção de fortificações e o aumento de sua guarnição. 

    Em março deste ano, alegando o interesse de proteger as ilhas contra ameaças ligadas a um suposto acordo entre Buenos Aires e Moscou para a compra de bombardeiros russos, a Grã-Bretanha anunciou um investimento de £ 280 milhões, ao longo dos próximos dez anos, para reforçar a defesa da região. A medida, rotulada de "loucura" pelo Ministério da Defesa da Argentina, consistirá na compra de novos helicópteros, substituição dos atuais mísseis antiaéreos, que tem vida útil até o final da década, e na modernização do sistema de comunicações militar nas Malvinas, que ainda abriga cerca de 1,2 mil soldados britânicos (o equivalente à metade da população local). 

    Para o professor Julio Gambina, da Universidade de Buenos Aires, a decisão judicial do último sábado está diretamente ligada ao conflito territorial entre argentinos e britânicos pelas Malvinas, ocupadas, segundo ele, ilegalmente, pelo Reino Unido.

    "O caráter imperialista da Grã-Bretanha é expresso na ocupação territorial e na pilhagem dos bens comuns no Atlântico Sul, especialmente nas Ilhas Malvinas e nas ilhas vizinhas. A riqueza naquela zona e o caráter estratégico da confluência bioceânica é de grande importância para a visão da OTAN e dos EUA, e a Grã-Bretanha sustenta essa política agressiva na região associada com o poder econômico da área", afirma Gambina. 

     

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    Tags:
    Argentina, Buenos Aires, Inglaterra, Moscou, Rússia, EUA, Reino Unido, Grã-Bretanha, Malvinas, Falkland, Atlântico Sul, Julio Gambina, Lilian Herraez, BBC, Premier Oil Plc, Rockhopper Exploration Plc, Falkland Oil and Gas Ltd, Noble Energy Inc, Edison International Spa, petróleo, disputa territorial
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