11:18 13 Dezembro 2017
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    Combatentes da milícia Peshmerga (curdos iraquianos) em Kobane

    Curdos contra-atacam Estado Islâmico em Kobane após massacre de 146 civis

    © East News/ Polaris Images/Frederic Lafargue
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    A milícia de autodefesa curda YPG lançou ataques contra os combatentes do Estado Islâmico (EI) em Kobane e retomou a maior parte da cidade, após relatos do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) de que o grupo terrorista matara 146 civis desde que entrou na cidade fronteiriça, no norte do país, na quinta-feira (25).

    Raushan Khalil, um morador local que testemunhou os eventos dos últimos dias em Kobane, disse à Sputnik que nesta sexta-feira (26), os tiroteios praticamente pararam, apesar de que "militantes em algumas casas estão mantendo reféns, e, portanto, alguns bolsões de resistência do EI permanecem". A fonte disse que a maior parte da cidade foi livrada dos extremistas, com todas as estradas em direção ao lado turco da fronteira sendo fechadas.

    Khalil confirmou que 230 pessoas foram mortas, acrescentando que entre 70 e 200 pessoas ainda estão desaparecidas. Ele não especificou se esse número inclui os 146 civis mencionados pelo OSDH. Segundo a ONG, as vítimas foram sistematicamente executadas pelos combatentes do EI desde quinta-feira, quando eles se infiltraram na cidade disfarçados como membros da milícia curda YPG. Os porta-vozes curdos, citados pela imprensa local, informaram hoje terem matado pelo menos 30 extremistas na cidade.

    Depois de entrarem em Kobane na quinta-feira, os militantes do EI supostamente detonaram pelo menos três carros-bomba. O chefe do OSDH, Rami Abdulrahman, disse que os jihadistas miraram deliberadamente "em tudo que se movia", incluindo mulheres e crianças pegas no fogo cruzado. 

    Opinando que o EI nunca teve a intenção de retomar a cidade, Abdulrahman afirmou que o ataque visava dar um "golpe moral" contra os curdos, cujos combatentes conhecidos como peshmergas têm conseguido uma série de vitórias contra o grupo terrorista nos últimos meses, incluindo a captura da cidade estratégica fronteiriça de Tal Abyad, no norte da Síria, no início deste mês.

    Khalil disse ainda à Sputnik que, atualmente, "a cidade de Kobane está na verdade quase vazia. Quase toda a população civil deixou a cidade, e agora está localizada em um pequeno bosque fora da cidade e em uma colina com vista para a cidade. As famílias estão sendo defendidas por seus homens, que formaram um perímetro ao redor delas".

    O observador notou também que os ataques aéreos dos EUA atingiram uma escola onde os militantes do EI estavam tentando ganhar uma posição, bem como uma coluna de jihadistas que estavam começando a se dirigir para Kobane.

    "Alguns combatentes se vestiram com roupas civis e desapareceram na cidade, portanto, o perigo de ataque permanece e as famílias deixadas na cidade ficam em suas casas, as quais elas passaram a vigiar em turnos, especialmente à noite. Hoje vai ser a primeira oportunidade de dormir um pouco", conta Khalil.

    A mídia síria ventilou a hipótese de que a Turquia teria facilitado a entrada dos militantes extremistas na cidade fronteiriça síria, acusação negada por Ancara.

    Kobane, cuja população pré-guerra chegava a cerca de 40 mil pessoas, se transformou em um símbolo da resistência curda contra o EI no ano passado, depois de resistir a uma ofensiva do grupo terrorista por quase cinco meses antes de as forças da YPG conseguirem levantar o cerco, em janeiro.

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    Tags:
    massacre, Observatório Sírio dos Direitos Humanos, Estado Islâmico, YPG, Região Autônoma do Curdistão, Curdistão iraquiano, EUA, Turquia, Kobane, Síria
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