22:58 24 Junho 2018
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    Jean de Gliniasty, ambassadeur de France à Moscou de mai 2009 à octobre 2013

    Ex-embaixador francês na Rússia diz que a Crimeia nunca foi da Ucrânia

    © Sputnik / Ekaterina Chesnokova
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    O ex-embaixador francês na Rússia, Jean de Gliniasty, afirmou em entrevista publicada pelo Le Figaro, no domingo (21) que a Crimeia sempre foi russa, argumentando que o conflito com a Ucrânia poderia ter sido evitado se Kiev oferecesse garantias para proteger a língua russa na península e transferido o controle de Sevastopol para a Rússia.

    Gliniasty, que serviu como embaixador da França na Rússia entre 2009 e 2013, observou que a França e a Europa cometeram erros diplomáticos graves no que diz respeito à política sobre a Ucrânia. Ele observou que, como resultado desta política errada, seus “cinco anos de trabalho…  foram desperdiçados”.

    O diplomata afirmou que a crise ucraniana não era um problema difícil de resolver. “Nós deveríamos ter simplesmente transferido o controle de Sevastopol para a Rússia e garantir o estatuto da língua russa na Crimeia.” O ex-embaixador argumentou que a transferência oficial da cidade portuária, que abriga a Frota do Mar Negro da Rússia, deveria ter acontecido o mais tardar em 2042, quando o acordo de arrendamento da Rússia com Kiev para a base naval iria expirar.

    “Esses projetos poderiam ter sido formulados no momento em que Moscou começou a manifestar as suas objeções à assinatura do Acordo de Associação entre a União Europeia e a Ucrânia”, observou  Gliniasty. 

    Infelizmente, na opinião do ex-embaixador, estas propostas nunca foram feitas, “prejudicada pela falta de conhecimento da história por parte da União Europeia e, especialmente, pelas ações dos norte-americanas”. Gliniasty observou que, em última análise, a Europa tinha se encontrado “nas mãos dos EUA”.

    Ele também colocou parte da culpa em Washington pelas repetidas violações de Kiev ao cessar-fogo em Donbass, notando que a Ucrânia está em perigo de se tornar um dos “playgrounds favoritos” da diplomacia norte-americana, que é destinada a bloquear a Rússia no espaço pós-soviético.

    Quando perguntado por que a Europa deveria ter concordado em transferir Sevastopol para a Rússia e chamar Kiev a garantir o estatuto da língua russa na península da Crimeia, Gliniasty afirmou que a “Crimeia nunca pertenceu à Ucrânia, sempre foi russa”.

    Tags:
    língua russa, cessar-fogo, política externa, crise, diplomacia, entrevista, reintegração, Le Figaro, União Europeia, Jean de Gliniasty, Washington, mar Negro, Donbass, Ucrânia, Kiev, EUA, Sevastopol, Moscou, Europa, Crimeia, França, Rússia
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