23:05 17 Junho 2018
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    Foto oficial da Cúpula Celac–União Europeia.

    UE deixou sanções à Venezuela fora de Declaração de Bruxelas para não se indispor com EUA

    Fotos Públicas / Eduardo Santillán/ Presidencia de la República do Equador
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    A União Europeia impediu os países da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e do Caribe de produzir uma proposta conjunta condenando as atitudes dos EUA em relação à Venezuela. A Declaração de Bruxelas, documento final da Cúpula UE-CELAC, não repudia as sanções de Washington a Caracas. Rafael Araújo comenta com exclusividade para a Sputnik.

    Foto oficial da Cúpula Celac–União Europeia.
    Fotos Públicas / Eduardo Santillán/ Presidencia de la República do Equador
    Ao fim dos dois dias da reunião de cúpula realizada esta semana na capital da Bélgica, os líderes da CELAC e da União Europeia divulgaram a Declaração de Bruxelas, documento final da conferência de cúpula entre os dois blocos. A Comunidade dos Estados Latino-Americanos e do Caribe desejava incluir na Declaração de Bruxelas uma manifestação conjunta com a UE contra as medidas restritivas norte-americanas a Caracas. Os líderes europeus, porém, rejeitaram a iniciativa. Apenas num dos parágrafos há uma citação registrando a existência de comunicados dos países latino-americanos a favor da Venezuela.

    Sobre o assunto, a Presidenta Dilma Rousseff foi bastante enfática, dizendo que os líderes latino-americanos reafirmam seu compromisso por soluções pacíficas e que rechaçam qualquer sanção à Venezuela. “Não admitimos medidas unilaterais, golpistas e políticas de isolamento.”

    Ao analisar a decisão, o professor de História e Relações Internacionais da Unilasalle e da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Rafael Araújo, diz que já esperava por esse comportamento da União Europeia, especialmente de França, Inglaterra e Alemanha, para evitar um desgaste com os Estados Unidos. “Nunca acreditei que a União Europeia compraria um desgaste com os Estados Unidos por conta de uma declaração conjunta com a CELAC repudiando o fato de os norte-americanos terem colocado a Venezuela como uma ameaça para os EUA.”

    Segundo o professor, a Venezuela é importante para os países sul-americanos e caribenhos, até pelo fato de aquele nos últimos 15 anos ter uma política de mais ação no sistema internacional. Rafael Araújo acredita que a CELAC fez o seu papel, tentando fazer com que a União Europeia se posicionasse contra os EUA, o que geraria um isolamento norte-americano, mas sem de fato acreditar que os europeus fossem além disso. “É evidente que dentro do quadro da reunião, dentro da CELAC, a proposta tinha que acontecer, era natural, mas o não apoio da União Europeia de certa forma já era esperado.”

    O especialista em Relações Internacionais não entende a razão de os Estados Unidos considerarem a Venezuela uma ameaça tão grande. Não há há motivos para isso, tanto que os dois países desenvolvem negócios comerciais no setor de petróleo. “Tanto não há ameaça que o segundo fornecedor de petróleo para os EUA é a Venezuela.”

    Rafael Araújo também não acredita que as sanções dos EUA à Venezuela façam parte de alguma manobra para forçar o país a reduzir os preços da exportação de petróleo. “Eu acho que a questão não é o petróleo. Penso que a questão é isolar o governo do Presidente Nicolás Maduro, em virtude de toda a oposição interna que o Maduro sofre, e pelo fato de ele não ter o carisma e a representação política que o Presidente Hugo Chávez tinha. Acho que é uma forma de tentar isolar ainda mais o Maduro, tendo em vista que este ano haverá eleições regionais na Venezuela, e em 2017 eleições presidenciais.”

    Tags:
    sanções, petróleo, CELAC, Hugo Chávez, Nicolás Maduro, Rafael Araújo, Dilma Rousseff, EUA, União Europeia, Venezuela
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