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    Após o ataque aéreo à cidade de Sanaa, Iêmen, em 27 de maio de 2015

    Coalizão Árabe usa bombas de fragmentação no Iêmen

    © AP Photo / Hani Mohammed
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    A organização internacional de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) publicou um relatório sobre a situação no Iêmen no qual declarou que a coalizão árabe usa bombas de fragmentação na sua luta contra o grupo radical xiita houthi.

    Segundo o relatório, os ataques já provocaram vítimas entre a população civil.

    O tratado de 2008, assinado por 116 países, proíbe o uso de bombas de fragmentação porque elas representam um grave risco para civis devido à larga escala de destruição que causam. A coalizão de dez países árabes liderada pela Arábia Saudita não assinou o tratado. A HRW opina que a coalizão deve assinar o tratado o mais brevemente possível.

    Os funcionários da organização HRW, com sede na cidade norte-americana de Nova York, visitaram a província de Saada (norte do Iêmen). No seu relatório eles declaram que no país são usadas bombas de fragmentação de três tipos.

    "Este tipo de armamento não distingue alvos militares de civis, e os seus elementos que não chegam a explodir ameaçam civis, especialmente crianças, mesmo muito tempo após o ataque", disse o investigador-chefe de segurança da HRW, Ole Solvang.

    Em um ataque aéreo que feriu três pessoas, pelo menos dois deles civis, as bombas de fragmentação foram lançadas por bombardeiros, o que fez os investigadores da HRW pensar que a responsabilidade foi da coalizão liderada pela Arábia Saudita porque é a única parte que usa aviões. Em outro ataque, que feriu quatro pessoas, inclusive uma criança, a HRW tem a certeza que se tratou também da coalizão porque, embora as bombas tenham sido lançadas de terra, elas atingiram uma área que a coalizão já tinha atacado.

    O especialista iraniano Emad Abshenass, redator-chefe da revista Iran Press, disse à emissora Sputnik Persian:

    “De acordo com o direito internacional, o uso de bombas de fragmentação durante uma guerra de qualquer tipo é proibido. Uma vez que se recorre a estes armamentos, o objetivo é só um: aumentar o número de vítimas entre civis e não danificar ou destruir alvos militares do adversário, armazéns de armamentos ou equipamentos militares.”

    “As autoridades sauditas que dão ordens de usar este tipo de armamentos no Iêmen um dia irão responder perante o direito internacional. E não só isso. A mentalidade dos iemenitas, um povo tribal, nestas situações só tem uma resposta – a vingança. Por isso, os sauditas devem estar preparados para o fato que os iemenitas continuarão a proteger a sua pátria”, disse.

    A organização de direitos humanos exigiu à coalizão que pare de usar bombas de fragmentação no conflito e apelou aos países que apoiam a Liga Árabe, por exemplo, os EUA, a denunciarem o uso de armas ilegais.

    As bombas de fragmentação podem ser lançadas por meio de mísseis, morteiros, artilharia ou de avião. Elas contêm várias submunições criadas para explodir depois de as bombas serem lançadas numa área grande, que muitas vezes é do tamanho de campo de futebol. Isso cria uma ameaça séria para civis e, mais do que isso, frequentemente as submunições não explodem durante muito tempo e se tornam minas.

    Atualmente, a Arábia Saudita, junto com o Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Egito, Jordânia, Marrocos, Paquistão e Sudão, está realizando a operação "Restaurando a Esperança" contra os rebeldes houthis. Este é, desde 21 de abril, o nome oficial da intervenção militar no Iêmen, que começou em finais de março.

    A facção houthi, a principal força de oposição política no Iêmen, assumiu o controle da capital Sanaa e de outras cidades do país no final de 2014, forçando o presidente Abed Rabbo Mansour Hadi a fugir.

    Tags:
    ataque aéreo, bombas de fragmentação, Human Rights Watch, Iêmen, Arábia Saudita
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