17:06 14 Dezembro 2017
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    Joseph Blatter conquista seu quinto mandato como presidente da Fifa

    Especialista brasileiro alerta: investigação contra a FIFA tem interesse político dos EUA

    © AFP 2017/ FABRICE COFFRINI
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    Geórgia Cristhine
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    Pedro Trengrouse, especialista em Direito Esportivo da Fundação Getúlio Vargas, acredita que a investigação das irregularidades na FIFA vai muito além da prisão de dirigentes. Em entrevista exclusiva à Sputnik, ele diz que a operação deflagrada pela Justiça dos EUA tem nítidos interesses econômicos e principalmente políticos.

    O presidente da FIFA, Joseph Blatter, foi reeleito nesta sexta-feira (29) para seu quinto mandato consecutivo. Algo a comemorar? Talvez não. A eleição de Blatter acabou marcada pela prisão, na quarta-feira (27), de 7 dirigentes da FIFA, acusados de corrupção e pagamento de propina. Entre os acusados está o ex-presidente e atual vice-presidente da CBF – Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin.

    O especialista brasileiro em Direito Esportivo questiona: “Primeiro os Estados Unidos começaram uma investigação logo após perderem a escolha da Copa do Mundo de 2022 para o Qatar, o que já representa uma razão política; em seguida, depois de 3 anos de investigações, foram escolher justamente a véspera da eleição da Presidência da FIFA para ter reflexos na eleição. Essa ação do FBI é muito conveniente para quem quer tirar o Blatter do poder.”

    Apesar dos interesses norte-americanos, o advogado acha válida a investigação que o FBI está fazendo. “A investigação é boa, tem que ser feita, mas também não se pode admitir o uso político desses instrumentos. Sem dúvida, esse momento deixa bem claro que havia um cunho político interno e externo nessa operação.”

    Outra crítica feita pelo advogado Pedro Trengrouse é sobre a forma como os EUA solicitam cooperação dos países dos suspeitos, e de querer extraditar os acusados para que sejam cuidados pela Justiça americana. “O pedido de cooperação não é para que as pessoas sejam punidas em seus países, é para as pessoas serem enviadas para os EUA. Agora, será que os EUA têm esse direito de sair punindo cidadãos do mundo do modo como queiram?” E o especialista ironiza: “Será que vão mandá-los para a prisão militar de Guantánamo, em Cuba?”

    Mesmo acreditando que a operação do FBI tenha fatores políticos, Pedro Trengrouse não vê a possibilidade de os Estados Unidos prejudicarem a Copa do Mundo de 2018, que será realizada na Rússia. Tanto que o Presidente Vladimir Putin reafirmou que o processo de escolha da Rússia para a Copa de 2018 transcorreu na legalidade, e que não admite contestações.

    Logo da FIFA no QG da empresa em Zurique, na Suíça
    © AP Photo/ Keystone, Steffen Schmidt
    Segundo o advogado, não há como comparar a Rússia com o Qatar (sede da Copa de 2022). Por isso, não deve haver mudanças para 2018, mas poderá ser preciso rever a situação para 2022. “A Rússia é uma superpotência, e o Presidente Putin bateu na mesa para manter a Copa do Mundo de 2018. Agora, é diferente com a Copa do Mundo no Qatar, que está muito longe de acontecer, e que realmente deverá ser revista, nem que seja apenas para mudar o período em que será realizada, em razão do calor extremo que faz naquela região. O Qatar não tem a dimensão da Rússia no cenário das relações internacionais. O ano de 2022 está muito longe, e, como foram os EUA que perderam, eles gostariam de receber a Copa em 2022.”

    Sobre os reflexos das investigações para a CBF, Pedro Trengrouse acredita que a operação vai ter reflexos negativos não só para o Brasil, mas para o mundo inteiro. “As grandes empresas que patrocinam e transmitem esses eventos esportivos não querem se associar a nenhum tipo de imagem negativa. Mesmo que o julgamento ainda não tenha acontecido, há um prejuízo de imagem grande, que pode ter reflexos no mercado.”

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    Tags:
    Copa do Mundo, FBI, CBF, FIFA, Pedro Trengrouse, José Maria Marin, Joseph Blatter, Rússia, Qatar, EUA
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