07:56 14 Dezembro 2017
Ouvir Rádio
    Um polícial na cidade de Estocolmo

    Racismo vice-versa: Homens brancos não são aceitos na Polícia sueca

    © AFP 2017/ JONATHAN NACKSTRAND
    Mundo
    URL curta
    0 719

    Durante muitos anos a Polícia negava e tentava esconder a situação em torno da discriminação sexual e étnica na admissão à Academia de Polícia.

    Mas a recente decisão do tribunal de Estocolmo esclareceu tudo, escreve a edição sueca FriaTinder. A Polícia violava a lei sobre discriminação e agora está obrigada a pagar recompensa aos quatro homens que foram alvos da descriminação. 

    Alguns anos atrás Daniel Stahl e mais três homens suecos iniciaram um processo penal contra a polícia por causa de discriminação durante a admissão ao estudo na Academia de Polícia. Eles pediram também a ajuda do Centro de Justiça sueco. 

    Assim como milhares de outros pretendentes que tentaram entrar na Academia, eles foram eliminados por causa da descriminação sexual e étnica. A razão é que na Academia desde muito tempo há quotas de admissão de mulheres e migrantes. 

    Por causa disso, apesar de dois terços de pretendentes serem homens, e apesar de eles obtiverem melhores notas nos testes físicos e de língua, as mulheres obtiveram uma metade de lugares. Tal descriminação teve lugar no aspecto étnico também. 

    Na véspera da audiência principal do tribunal de Estocolmo a Polícia não teve outro remédio senão recuar. Alguns dias atrás o tribunal obrigou a polícia a cobrir todas as despesas das vítimas, nomeadamente cem mil krones suecos (cerca de 37 mil reais brasileiros) a cada um. 

    “O que aconteceu é muito importante. A Polícia confessou oficialmente que tinha admitido descriminação sexual e étnica. Nós iremos vigiar o assunto para que isto não se repita na Polícia ou em qualquer outro lugar”, manifestou Clarence Crafoord, chefe do Centro de Justiça e advogado neste caso. 

    Soldados do Estado Islâmico em parada na cidade de Raqqa, Syria
    © AP Photo/ Raqqa Media Center of the Islamic State group
    Porém não está claro como a justiça sueca irá sair desta “cilada jurídica” que ela mesma criou. Porque as leis na Suécia que lutam contra descriminação obrigam as organizações a introduzir quotas de admissão de representantes de camadas vulneráveis da sociedade, inclusive, por exemplo, migrantes. Mas neste caso os direitos de representantes decentes da maioria são prejudicados – eles são privados da possibilidade de concorrer com os pretendentes privilegiados de igual para igual. Assim ironicamente a luta contra discriminação gera discriminação.

    Tags:
    tribunal, justiça, racismo, polícia, Suécia
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik