05:05 25 Setembro 2020
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    Washington estabeleceu o prazo e o local onde a China e os países-membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN na sigla em inglês) poderão definir a estratégia de ações no mar do Sul da China.

    Os EUA não veem nenhuma razão para o texto da nova estratégia não ser aprovado na cidade malaia de Kuala Lumpur durante a cúpula da ASEAN em novembro. A respectiva declaração foi feita na quinta-feira (21) pelo secretário de Estado adjunto para o Leste Asiático e Pacífico, Daniel Russel.

    A China realiza consultas com Vietnã, Filipinas, Malásia para persuadir cada país adotar o Código de Conduta no mar do Sul da China. As negociações que já estão realizados há muito tempo, chegaram a um impasse e o prazo final deles não é determinado. Ao mesmo tempo a China se manifesta fortemente contra o seu patrocínio pela ASEAN e ainda mais fortemente contra a intervenção da terceira parte, quer dizer, dos EUA.

    Portanto, a iniciativa dos EUA de aprovar o código em Kuala Lumpur pode ser considerada em Pequim como mais uma tentativa de intervir nos assuntos da região.

    O especialista do Centro de Pesquisa do Sudeste Asiático, Austrália e Oceania, Dmitry Mosyakov, disse à Sputnik China que Washington conduz o seu jogo, a sua preocupação com a resolução da disputa territorial é apenas uma aparência:

    “Para o Vietnã e as Filipinas a questão vital é o litígio territorial, que ainda está longe de ser resolvido. Porém outro conflito, mais grave e global e que está ganhando força, se sobrepõe a este. É o conflito entre os EUA e a China.

    Mas o motivo não só é a disputa territorial, mas a liberdade da navegação em alto mar. Isso é muito importante, porque a China já tem declarado várias vezes que está pronta para garantir a liberdade de navegação do transporte marítimo nas águas que ela considera suas no âmbito da legislação chinesa. Os EUA e o Japão, que eles arrastaram no seu jogo, estão contra qualquer tentativa de regulação da liberdade da navegação no mar do Sul da China. A disputa só vai tornar-se mais aguda, porque por trás de tudo isso fica o controle não só da navegação comercial, mas também da militar”.

    Construção de ilhas artificiais chinesas no mar da China Meridional
    © AP Photo / Philippine Department of Foreign Affairs
    Os EUA compreendem que as suas tentativas de conter a China na área em disputa e de impor as suas regras do jogo terão mais êxito se outros rivais da China lhes ajudem a o fazer. É por isso que eles ofereceram ao seu principal aliado, Japão, patrulhar conjuntamente o mar do Sul da China. A Indonésia, Malásia, Singapura também manifestaram o desejo de realizar patrulhamento da região.

    Segundo o especialista militar russo Vladimir Evseev, tais decisões foram tomadas por razão da pressão norte-americana:

    “Caso os Estados Unidos continuarem a sua política provocadora no mar do Sul da China, é possível que surge um novo foco de tensão na Ásia. Até porque a zona tem petróleo e gás, e alguns Estados gostariam de começar a exploração. Portanto, neste momento o grande problema é, provavelmente, a intervenção dos EUA nos assuntos regionais e a sua falta de vontade para negociar com a China sobre as formas de reduzir a tensão”.

    Entretanto, caso os EUA imponham as suas regras do jogo no mar do Sul da China, o direito para a exploração provavelmente seria em forte dependência política e diplomática de Washington. De modo que o mar do Sul da China cheira a conflito não só por causa da areia usada pela China para ampliar a superfície das ilhas disputadas, onde planeja colocar instalações militares. São o petróleo e o gás ainda não extraídos do fundo marítimo que cheiram a conflito.

    Tags:
    disputa, política, Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Mar da China, China, EUA, Japão
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