18:36 17 Agosto 2017
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    Com ampliação da rivalidade regional, EUA perdem influência na Ásia e Oriente Médio

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    A Índia pretende investir cerca de 100 milhões de dólares no projeto de construção de porto iraniano de Chabahar. O memorando correspondente foi assinado na quarta-feira (6), duas semanas depois do acordo de cooperação sino-paquistanesa de desenvolvimento do porto de Guadar.

    A ideia do projeto conjunto indo-iraniano em Chabahar vem de 2003. Agora, menos de dois meses antes do acordo que irá liberar o programa nuclear iraniano, levantando as sanções impostas contra este país, a ideia se torna realidade, com a assinatura do acordo de cooperação pelo ministro dos Transportes da Índia, Nitin Gadkari, e o ministro dos Transportes e Desenvolvimento Urbano do Irã, Abbas Ahmad Akhoundi.

    O porto de Chabahar, situado no sudeste do Irã, na província de Sistão-Baluchistão, fronteiriça com o Afeganistão, seria um ponto estratégico para a Índia. Abre a possibilidade de realizar, através do Irã, intercâmbio comercial com o Afeganistão. A Índia não tem fronteira comum com o Afeganistão, e o comércio com esse país através do Paquistão está atualmente impossível devido a circunstâncias políticas.

    Parece que o processo da libertação iraniana fomenta o interesse internacional. Também a retirada das tropas estadunidenses e da OTAN faz o projeto pensado mais de 10 anos finalmente viável.

    Existe outro fator destacado por especialistas, o projeto conjunto entre a China e o Paquistão no porto paquistanês de Guadar. Observadores acreditam que Chabahar, no Irã, é uma resposta estratégica ao projeto de Guadar, que significa extensão do poder regional da China na região. Para Tatiana Shaumyan, do Instituto de Estudos Orientais da Academia das Ciências da Rússia, trata-se de uma tentativa chinesa de conquistar o Oriente Médio:

    "A China está muito ativa agora nesta parte do oceano Índico, nomeadamente em Guadar. A sua modernização [do porto de Guadar] permitirá à China reforçar a sua presença geopolítica nesta região. Isso é evidencia clara da tentativa da China de se aproximar do Oriente Médio. Os interesses chineses aqui também são importantes, tendo em conta as necessidades de petróleo e gás e também as posições estratégicas. Eu acho que a nova ligação Chabahar-Guadar reflete um novo nível da rivalidade entre a Índia e a China pela influência na região".

    A China começou também a investir ativamente no Irã depois de iniciado o processo de levantamento das sanções.

    Trata-se também de um fortalecimento da economia iraniana, que, neste mês de abril, começou a se sentir mais livre e independente, como toda a região. Os Estados Unidos tinham advertido a Índia a frear o acordo com o Irã, por considerar que a parceria iria violar o regime das sanções ainda não levantadas.

    Mas o porto de Chabahar não faz parte da lista das sanções esrangeiras, frisa Mandana Tisheyar, vice-diretora do Instituto de Estudos Iranianos e Eurasiáticos de Teerã:

    "A posição inicial da Índia era essa: não contradizer às sanções internacionais impostas ao Irã. Por isso a Índia abstinha-se de assinar contratos diretos com organizações e empresas sujeitas a essas sanções. Mas o memorando atual foi assinado pelos governos dos dois países, e não por empresas privadas. E este projeto irá ser realizado. A construção e o desenvolvimento do porto de Chabahar não integram a lista das sanções ocidentais".

    Além disso, os EUA reservam para si a possibilidade de recuo na solução do assunto do programa nuclear iraniano. Washington tem declarado que não há garantia de que o acordo-quadro de 30 de março tenha como continuação iminente a assinatura de um acordo final até 30 de junho.

    Porém, o processo atual demonstra força crescente das potências regionais. A ampliação da rivalidade sino-indiana significa mais influência regional destes países, quando o papel dos EUA está se reduzindo. E menos influência estadunidense pode significar mais liberdade para o Irã.

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    Tags:
    cooperação, parceria, comércio, Golfo de Omã, Oriente Médio, EUA, China, Índia, Irã
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