06:37 17 Agosto 2017
Ouvir Rádio
    Ação de protesto contra a OTAN e pelo fim da confrontação da Rússia, em Munique

    Generais alemães: experiência mostra que é melhor manter amizade com a Rússia

    © Sputnik/ Vladimir Pesnya
    Mundo
    URL curta
    0 4791782

    Dezenas de generais e altos oficiais do exército da antiga Alemanha Oriental assinaram uma carta aberta condenando a política do Ocidente em relação à Rússia. O texto, intitulado de "Soldados pela paz", foi publicado no site do jornal Junge Welt.

    A carta foi assinada pelos ex-ministros da Defesa Heinz Kessler e Theodor Hoffmann, por três coronéis-generais, 19 tenentes-generais, 61 majores-generais, incluindo o cosmonauta Sigmund Jähn, almirantes, coronéis e capitães. A carta será encaminhada para o Bundestag (o parlamento alemão) e às embaixadas dos países-membros da OTAN.

    O documento destaca que passados 70 anos desde o fim da guerra que matou 27 milhões de cidadãos soviéticos, a guerra voltou a bater na porta da humanidade.

    "A reorganização do mundo sob a liderança dos EUA e seus aliados levou a guerras na Iugoslávia e no Afeganistão, no Iraque, Sudão e Iêmen, na Líbia e na Somália" – diz a carta.

    Com relação à crise ucraniana, os militares da antiga Alemanha Oriental destacam que a estratégia dos EUA está voltada para "a eliminação da Rússia como um concorrente e o enfraquecimento da União Europeia". Na sua opinião, a tentativa de transformar a Ucrânia em um país-membro da UE e da OTAN mostra a intenção de criar um "cordão sanitário desde o Báltico até o mar Negro, com o objetivo de isolar a Rússia do resto da Europa", tornando impossível uma aliança entre Rússia e Alemanha.

    "Nós defendemos a paz, porque conhecemos muito bem o que é a guerra" – destacaram os militares da antiga Alemanha Oriental.

    Os militares que assinaram a carta apontam também para uma "campanha midiática sem precedentes", uma "histeria militar e a russofobia". Nas suas palavras, tudo isso se contrapõe àquele papel diplomático que a Alemanha poderia vir a desempenhar, levando em conta a sua "posição geopolítica, experiência histórica e os interesses objetivos do seu povo".

    "Não precisamos de uma campanha militar contra a Rússia, mas de uma compreensão mútua e uma coexistência pacífica. Não precisamos da dependência militar dos EUA, mas da própria responsabilidade perante o mundo" — diz a carta.

    "Como militares, nós sabemos bem que a guerra não deve ser um  instrumento da política. Partindo da nossa experiência, nós podemos avaliar bem as consequências para toda a Europa" – declarou durante uma entrevista coletiva o ex-ministro da Defesa da Alemanha Oriental, almirante Theodor Hoffmann.

    Ele destacou ainda que os principais problemas da atualidade podem ser resolvidos somente em cooperação com a Rússia.

    "A experiência mostra que é melhor manter amizade com os russos, do que lutar contra eles" – disse Hoffmann.

    Nas suas palavras, muitos dos que assinaram a carta aberta vivenciaram a Segunda Guerra Mundial.

    Mais:

    OTAN manipula informações sobre a Rússia, diz chefe de espionagem francês
    Mídia: Rússia e OTAN instalam linha de comunicação direta
    General Gerasimov: OTAN simula guerra contra a Rússia em exercícios militares
    Tags:
    carta aberta, abaixo-assinado, Junge Welt, Theodor Hoffmann, Heinz Kessler, Alemanha, EUA, Rússia
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik