04:03 23 Outubro 2018
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    Presidentes da Rússia, Vladimir Putin (esquerda), da Bielorrússia, Alexander Lukashenko (centro) e da Ucrânia, Pyotr Poroshenko (direita), durante conversações em Minsk

    Lukashenko: “Bielorrússia estará sempre do lado da Rússia”

    © AFP 2018 / KIRILL KUDRYAVTSEV
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    A Bielorrússia sempre será aliada da Rússia, segundo declarou o presidente bielorrusso Alexander Lukashenko nesta quarta-feira (29), em seu discurso ao Parlamento e à nação.

    "Tanto a União Europeia quanto os EUA me entendem quando eu digo a eles que, se alguma coisa acontecer, a Bielorrússia vai estar ombro a ombro com a Rússia. Ela é nossa aliada. Permitam-me citar um exemplo: vocês se lembram dos bombardeios no Iraque? Alegou-se que armas nucleares haviam sido encontradas e Saddam Hussein foi enforcado. O mundo inteiro sabia que era injusto, que os EUA fizeram a coisa errada. Mas a Europa inteira e os países da OTAN apoiaram a América porque eles eram aliados. Todos devem ser informados de que nós sempre estivemos ao lado da Rússia e sempre estaremos. Nenhuma conversa ociosa acerca da Crimeia, nenhum desvio ou ajuste na política da Bielorrússia podem ser permitidos", sublinhou o chefe de Estado.

    Recentemente, o noticiário internacional teceu diversas especulações sobre os motivos que levaram Lukashenko a recusar o convite de Moscou para a parada militar do dia 9 de maio, Dia da Vitória, quando a Rússia celebra os 70 anos da vitória soviética sobre a Alemanha nazista. 

    "Alguns estão descontentes com o fato de que Lukashenko não estará presente durante o desfile em Moscou em 9 de maio. Eles afirmam que a decisão foi motivada por considerações relativas à eleição presidencial. Que absurdo! Nós e a liderança russa concordamos que há somente dois países no mundo que consideram sagrada a Grande Vitória. Nós concordamos que, dado que a Bielorrússia vai organizar o seu próprio desfile e festividades, o presidente tem que estar com sua nação no país em 9 de maio. Ninguém pode substituí-lo a este respeito; o comandante-em-chefe deve inspecionar as tropas. Estaremos em Moscou em 8 de maio e comemoraremos devidamente o aniversário da Vitória", esclareceu o líder bielorrusso.

    "A Rússia tem sido e será o nosso principal parceiro estratégico. A cooperação com a Rússia avança de forma consistente e dinâmica. As relações bilaterais no âmbito do Estado da União da Bielorrússia e da Rússia estão a um nível muito elevado de qualidade atualmente, nível que ainda não atingimos em qualquer outra associação de integração. A criação de produtos competitivos conjuntos, através da combinação do potencial industrial, financeiro e de marketing, nos dará mais força nos mercados internacionais e nos permitirá competir decentemente com países terceiros. A Rússia está pronta para isso", acrescentou.

    O chefe de Estado também comentou os recentes desenvolvimentos da situação na Ucrânia, ressaltando o papel que Minsk assumiu como uma “capital pacificadora”. Segundo ele, a iniciativa não se deveu apenas porque melhora a reputação do país, mas também porque a Bielorrússia foi de fato "arrastada para a guerra" no país vizinho.

    "O principal é que a guerra hoje está em pleno andamento, não nas Colinas de Golã, na Líbia, no Iraque, onde eles estão bombardeando. Não é nem que a guerra esteja perto de nós. A guerra está bem aqui (…). E nós já fomos arrastados para ela", disse Lukashenko.

    "Nosso povo já está lutando — alguns deles para um lado, outros para outro. Por enquanto, há apenas alguns deles. Se eles querem lutar e morrer por 10 mil dólares – é a sua escolha, eles podem ir em frente. Não é isso que assusta. A guerra vai acabar, e esses militantes, com sangue em suas mãos, vão voltar para casa", observou.

    "Eu não quero que os bielorrussos vão para lá, para aquele banho de sangue, e morram lá. Isso só contribui para a escalada do conflito", acrescentou o presidente, sublinhando que, no entanto, a crise no leste da Ucrânia é problema também da Bielorrússia, e que, neste sentido, Minsk deve fazer todo o possível para impedir a escalada em Donbass, a fim de que a guerra não se espalhe sobre as fronteiras de outros países.

    Além disso, Lukashenko também mencionou em seu discurso que se os EUA pretendessem normalizar a situação no sudeste da Ucrânia, sem dúvida a situação seria normalizada. Por outro lado, segundo o presidente bielorrusso, se os EUA tomarem uma posição diferente, não haverá paz.

    Lukashenko também lembrou que muito se tem escrito sobre as conversações de Minsk. "Houve um monte de zombaria”, disse ele, em referência às contínuas denúncias de violação do cessar-fogo em Donbass. 

    “Mas o fato de que eles pararam de usar armas de grande calibre, morteiros e artilharia, e de que milhares de pessoas não estão sendo mortas lá já é uma grande conquista da comunidade internacional, que chegou a um acordo aqui em Minsk”, concluiu o chefe de Estado.

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    Tags:
    cessar-fogo, Acordos de Minsk, guerra, cooperação, Dia da Vitória, OTAN, Saddam Hussein, Vladimir Putin, Aleksander Lukashenko, Donbass, Iraque, Crimeia, União Europeia, EUA, Minsk, Moscou, Ucrânia, Bielorrússia, Rússia
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