13:37 17 Junho 2019
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    Consequências do bombardeio em Sanaa, capital do Iêmen

    Estado Islâmico e Arábia Saudita: aliados inesperados

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    O Estado Islâmico (EI) publicou recentemente um novo vídeo em que anuncia que irá criar uma célula no Iêmen para combater contra os rebeldes houthis. Desta maneira, a Arábia Saudita, que lidera a coalizão e a operação “Restaurando a Esperança”, ganha um aliado inesperado.

    "Nós chegamos ao Iêmen, os nossos homens estão ávidos do seu sangue, que deve vingar os sunitas e devolver-lhes a terra que eles outrora ocupavam", disse um dos militantes filmados. Os houthis, alvo principal dos ataques da coalizão, integrada, além dos sauditas, pelo Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Egito, Jordânia, Marrocos, Paquistão e Sudão, são de tendência xiíta.

    Os mais de 20 militantes vestidos em trajes militares e com armas nas mãos que surgem no vídeo declaram que estão no Iêmen para "degolar os xiitas". O grupo apelou aos sunitas iemenitas para se juntarem ao Estado Islâmico e combater pela sua causa.

    No entanto, os bombardeios no Iêmen não cessam. O nome da fase atual da ofensiva, liderada pela coalizão saudita, é "Restaurando a Esperança", mas a esperança nem se enxerga. A recente resolução da ONU silencia os ataques sauditas e insta os houthis a se subjugarem.

    Consequências do bombardeio de Sanaa, capital do Iêmen
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    Consequências do bombardeio de Sanaa, capital do Iêmen

    No final da semana passada, o representante permanente do Iêmen nas Nações Unidas, Khaled Alemani, exigiu ao Conselho de Segurança da ONU fazer com que o Irã termine a sua "interferência" nos assuntos internos do país.

    O Irã tem reiteradamente proposto planos de regulação pacífica do confronto no Iêmen, através do estabelecimento do diálogo político.

    No entanto, o ministro das Relações Exteriores iemenita, Riyadh Yaseen, rejeitou o pedido de pacificação proposto pelo ex-presidente, Ali Abdullah Saleh.

    "Estes pedidos não são aceitáveis depois de toda a destruição que Ali Abdullah Saleh causou. Não há nenhum lugar para Saleh em nenhumas negociações políticas no futuro", disse o chanceler durante uma conferência em Londres.

    Foi também o chanceler iemenita quem disse que a operação "Restaurando a Esperança" não terminaria até a libertação total das cidades ocupadas pelos houthis.

    Saleh foi o presidente do Iêmen de 1990 até 2012, quando o poder foi assumido pelo seu vice, Abed Rabbo Mansour Hadi. Em março de 2015, Hadi fugiu do país.

    Também em março, a coalizão liderada pela Arábia Saudita começou a intervenção no país. O número de vítimas dos ataques já supera 1 mil pessoas.

    Tags:
    confronto, guerra, Ali Abdallah Saleh, Abed Rabbo Mansour Hadi, Iêmen, Irã, Arábia Saudita
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