19:21 20 Setembro 2019
Ouvir Rádio
    Prisioneiros do exército da Ucrânia

    Mídia: Ucranianos preferem a cadeia ao serviço militar

    © Sputnik / Guenadi Dubovoi
    Mundo
    URL curta
    Ucrânia em foco da política internacional (289)
    0 405
    Nos siga no

    A deserção e recusa de cumprir o serviço militar, de acordo com a lei ucraniana, é punível com multas e prisão de dois a cinco anos, mas os ucranianos preferem esta opção a participar nos combates no leste da Ucrânia, escreve o jornal The Washington Post.

    "Eu prefiro ficar na prisão durante três anos onde eu sou alimentado e protegido. O novo governo está no poder já há um ano, mas nós ainda precisamos de trabalhar dois dias para comprar um pão. Eu não quero lutar por essas autoridades", relata o jornal, citando um trabalhador de fábrica de aço na cidade de Slavyansk, Andrei, que foi mobilizado em março. 

    "Nós lutamos pela independência e pelo direito de viver e trabalhar em nossa região. Quando chegou o exército, ele nos bombardeou durante dois meses. E agora eu tenho que ir e lutar por eles? Acho que não", disse Andrei.

    Este tipo de artigos da mídia norte-americana não é o primeiro, embora seja raro. As autoridades de Kiev tentam suprimir o aparecimento na mídia e redes sociais de mensagens que "minem o ânimo" dos soldados.

    Em fevereiro, o presidente da Ucrânia Pyotr Poroshenko disse que o Serviço de Segurança do país (SBU na sigla ucraniana) prendeu e puniu 19 jornalistas e figuras públicas — "críticos ativos da mobilização" — que, segundo ele, "representam uma ameaça". Mais cedo, o SBU deteve por suspeita de traição à pátria o jornalista ucraniano Ruslan Kotsaba, que também se opunha à mobilização. Antes disso, em janeiro, no seu blog apareceu um vídeo no qual ele dizia na língua ucraniana: "Eu me recuso a mobilizar".

    Vale lembrar que, em 29 de janeiro, as autoridades de Kiev relataram sobre a conclusão bem sucedida de mais uma fase de mobilização. No entanto, a mídia informou que o recrutamento no país, anunciado no início de 2015, falhou devido a várias razões, em particular, os ucranianos começaram perceber "o custo real e horrível da guerra".

    Na sua opinião, o conflito a partir de abril de 2014 se transformou em um "triturador sangrento de vidas humanas", que matou, de acordo com várias estimativas, de 5 a 50 mil militares e civis. Confrontados com estas circunstâncias, os cidadãos buscam diferentes maneiras de evitar cumprir o serviço militar.

    Como anteriormente relatou a presidente da Comissão para Questões da Saúde da Suprema Rada (Parlamento ucraniano), Olga Bogomolets, a maioria dos recrutas ucranianos durante a quarta fase da mobilização foi declarada inapta para o serviço militar, informa agência ucraniana Unian.

    Segundo ela, as doenças mais frequentes, que levam à isenção do serviço militar, foram as perturbações mentais — 32%. Ela acrescentou que tal percentagem de homens com doenças mentais no período de mobilização é uma preocupação séria que requer verificação e controle.

    Além disso, muitos ucranianos preferem obter o estatuto de refugiado na Rússia. De acordo com a pesquisa da empresa ucraniana Research & Branding Group, realizada em março, a população da Ucrânia está diminuindo rapidamente, e mais de 30% dos entrevistados expressaram vontade de sair do país. Segundo as autoridades russas, no território da Federação da Rússia "com o propósito de fugir do recrutamento" vivem atualmente quase 1,3 milhões de cidadãos ucranianos.

    A quarta fase da mobilização na Ucrânia
    © Sputnik / Evgeny Kotenko
    A quarta fase da mobilização na Ucrânia

    Apesar de tudo, no princípio deste ano, o Estado-Maior da Ucrânia reconheceu os problemas durante a quarta fase de mobilização. Por exemplo, em 2 de fevereiro foi revelado que mais de um terço dos recrutas de Odessa se recusou a servir nas Forças Armadas ucranianas. Os moradores das aldeias de Dmitrovka e Kulevcha se rebelaram contra a mobilização. Além disso, as mulheres da cidade de Kramatorsk fizeram uma manifestação em frente ao posto de recrutamento, se recusando a deixar seus filhos combater contra as milícias, e se declararam "quase russas".

    Agora as autoridades de Kiev estão tentando assumir o controle dos batalhões paramilitares voluntários, mas sem sucesso. Por exemplo, o batalhão Organização dos Nacionalistas Ucranianos recusou-se a ficar sob o comando das  Forças Armadas da Ucrânia.

    "Agora nós não obedecemos a ninguém. Tomamos esta decisão devido ao fato de que nós fomos rudemente desarmados, e todos os acordos que tínhamos com as Forças Armadas da Ucrânia foram violados", disse no domingo ao canal de TV "112 Ucraina" o comandante do batalhão, Nikolai Kohanivsky.

    Tema:
    Ucrânia em foco da política internacional (289)
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar