13:29 26 Setembro 2021
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    O presidente polonês Bronislaw Komorowski condenou o reconhecimento recente pela Suprema Rada ucraniana do Exército Insurgente Ucraniano (UPA, na sigla ucraniana) como combatentes pela independência.

    “Não pode haver reconciliação entre Polônia e Ucrânia sem um diálogo”, disse ele numa entrevista ao canal televisivo TVN24.

    “Temos muito trabalho adiante para [reconstrução] das nossas relações”, acrescentou.

    O presidente Komorowski frisou que a desgraça da nova lei é que ela impede qualquer diálogo histórico entre os dois países no futuro.

    O líder polonês, porém, sublinhou que a comunicação entre os dois países não é parada e ambos os lados devem buscar uma solução positiva para as tensões existentes.

    Bohdan Pietka, historiador e publicista independente, num comentário à Sputnik Polska duvidou da sinceridade de Bronislaw Komorowski:

    “No que se diz respeito às palavras de ontem do presidente Komorowski de que a heroicização do UPA impedem o diálogo histórico ucraniano-polonês, elas foram ditas no interesse da sua campanha eleitoral durante a qual é preciso manobrar. Se não fosse pelas eleições, Bronislaw Komorowski provavelmente não diria essas palavras”.

    No dia 9 de abril, o parlamento ucraniano aprovou uma lei que reconhece como um “combatente pela liberdade” qualquer pessoa que tenha lutado pela independência da Ucrânia entre novembro de 1917 e 24 de agosto de 1991. Independente de terem feito parte de grupos formais, informais, subterrâneos, militares ou guerrilheiros, essas pessoas passam a ter direito a benefícios sociais ao abrigo da nova lei.

    Entre as organizações abrangidas pela controversa legislação estão o UPA e a Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN), que colaboraram com a Alemanha nazista e são responsáveis por inúmeras atrocidades.

    Suprema Rada ucraniana reconheceu o UPA como combatentes pela independência
    © Sputnik
    Suprema Rada ucraniana reconheceu o UPA como combatentes pela independência
    A lei foi aprovada logo após visita de Komorowski à Ucrânia e o apelo dele para uma reconciliação entre o povo ucraniano e o povo polonês que anteriormente tinham uma complexa e difícil história comum. O presidente também manifestou a esperança de que brigas e disputas antigas não interfiram no caminho para um bom diálogo entre os dois países e povos.

    Os historiadores poloneses manifestam que entre 100 e 130 mil civis poloneses foram mortos no ocidente da Ucrânia (Volínia e Galícia Oriental) pelos combatentes do UPA.

    Ao mesmo tempo parece que o respeito pela memória dos compatriotas na mente dos altos funcionários poloneses é mais fraco do que a antipatia em relação à Rússia e medo da mítica ameaça russa. Assim o chanceler da Polônia Grzegorz Schetyna nesta quinta-feira (23) manifestou que a Polônia, junto com outros países, pode apoiar as “capacidades defensivas” ucranianas em caso de escalação do conflito no leste da Ucrânia.

    Tags:
    Ucrânia, Polônia, Stepan Bandera, vítimas, crise, história
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