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    Dia do Holocausto, 27 de janeiro de 2014

    Declaração sobre envolvimento da Polônia no Holocausto é “ignorância total”

    © AFP 2018 / JANEK Skarzynski
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    O chefe da Agência Federal de Investigação (FBI na sigla em inglês), James Comey, acusou os polacos de envolvimento na tragédia do Holocausto.

    Após visitar o Museu Memorial do Holocausto nos EUA, Comey declarou, em um artigo no Washington Post, que exige que todos os analistas e agentes do FBI visitem o museu:

    “Pessoas boas ajudaram a matar milhões (de pessoas). E a lição mais terrível é que foi a humanidade que nos permitiu abandonar todos os nossos princípios morais e pessoais. Os assassinos e os seus assistentes da Alemanha, Polônia, Hungria e muitos outros lugares, no seu entendimento, não fizeram nada de mal. Eles se convenceram de que aquela era a coisa certa que deviam fazer. É isso que deve nos assustar de verdade.”
    O embaixador dos EUA na Polônia, Ryszard Schnepf, enviou uma carta de protesto a James Comey sobre a sua declaração de alegado revisionismo histórico, declarou no domingo (19) a embaixada polonesa no capital dos EUA, Washington. A Embaixada da Polônia disse que agiu imediatamente depois da "declaração inaceitável" de Comey.

    Na carta o embaixador protesta contra a deturpação da história, especialmente “contra as acusações de que poloneses teriam perpetrado crimes, crimes que eles não só não cometeram, mas também foram as vítimas”.

    O especialista político polonês, historiador e publicista, Adam Wielomski, comentou a situação à emissora Sputnik Polska:

    “O incidente não me surpreendeu. No Ocidente, na Alemanha, nos Estados Unidos este tipo de pontos de vista, que os poloneses foram responsáveis pelo Holocausto, que até certo ponto eles compartilham a culpa, ou mesmo são os principais culpados deste evento é muito popular. Este é um resultado da ignorância absoluta da História. Se na Alemanha são feitas tais publicações, estamos falando sobre a tentativa de redistribuir essa culpa. Por sua vez, no caso dos norte-americanos é a ignorância total.”

    Ele também fez previsões sobre as possíveis reações ao incidente:

    “A reação do governo polonês é completamente adequada, embora, admito, eu não esperasse uma reação tão forte. No entanto, surge a pergunta, qual será a reação dos norte-americanos? Eu não espero nada mais do que as desculpas habituais. Contudo, acredito que a única resposta adequada do lado norte-americano, visto se tratar de um dos aliados mais próximos dos EUA, deve ser a demissão do funcionário.”

    O especialista também sublinhou que “na política norte-americana tais incidentes não são raros”.

    A premiê da Polônia, Ewa Kopacz, declarou que “as palavras ditas são inaceitáveis não só para mim, mas também para todos os polacos”.

    O presidente da Polônia, Bronislaw Komorowski, também comentou a situação. Segundo ele, o incidente “se deve ao fato de que a Polônia estava no lado ruim da Cortina de Ferro”, por isso as sociedades ocidentais têm uma noção diferente do Holocausto.

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    Tags:
    holocausto, declaração, nazismo, Segunda Guerra Mundial, FBI, Memorial de Auschwitz, Polônia, EUA
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