18:08 22 Novembro 2017
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    Caminhão com inscrição Wikileaks em frente à Casa Branca, em Washington DC, Estados Unidos

    WikiLeaks: EUA pressionam Hollywood a fazer propaganda anti-Rússia

    © flickr.com/ Wikileaks Mobile Informat
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    Os documentos recentes publicados pelo Wikileaks revelam desconfortáveis - e nada surpreendentes - verdades sobre a relação entre Hollywood e o governo dos Estados Unidos.

    Em seus esforços na propaganda anti-Rússia, o Departamento de Estado americano pode ter pressionado a Sony — e algumas de suas maiores estrelas — a cooperar.

    As últimas publicações do WikiLeaks incluem milhares de documentos que revelam ligações entre a Casa Branca e a Sony Pictures. Os jornalistas levarão tempo para analisar toda a papelada, mas detalhes preocupantes já vêm à tona.

    Como observa o Wikileaks, o CEO da Sony Pictures, Michael Lynton, também faz parte da diretoria da RAND Corporation, um braço de pesquisa das forças armadas dos Estados Unidos. De acordo com os emails, o Departamento de Estado pode ter se aproveitado das duas funções de Lynton para levar adiante sua campanha propagandista.

    "Como todos podem ver, temos muitos desafios em responder às narrativas do Estado Islâmico no Oriente Médio e as narrativas russas no centro e no leste da Europa", diz um email enviado a Lynton pelo sub-secretário para diplomacia e relações públicas do Departamento de Estado, Richard Stengel. "Dando sequência à nossa conversa, gostaria de reunir um grupo de executivos de mídia que possam nos ajudar a pensar em maneiras melhores de dar respostas a esses dois desafios."

    "Esta é uma conversa sobre ideias, conteúdo e produção, sobre possibilidades comerciais", diz também Stengel. “Prometo que será interessante, divertido e recompensador.”

    Em resposta, Lynton forneceu uma lista repleta de executivos de Hollywood que, presumidamente, também cooperariam. O grupo inclui diretores sêniores da Turner Broadcasting e da Walt Disney International. Outros emails sugerem que Lynton foi convocado a pressionar celebridades de Hollywood para promoverem os objetivos da política externa da administração Obama.

    "Já começamos a pensar em maneiras que podem ser usada por seus superastros para potencialmente ajudarem a amplificar o grande trabalho da Embaixada dos Estados Unidos em Paris", escreveu um funcionário em nome do embaixador americano na França. "Adoraríamos incluir nomes da Sony nos eventos daqui, seja como convidados ou atrações, e adoraríamos ter a oportunidade de usar sua popularidade para promover as prioridades do Presidente e sua agenda fora dos Estados Unidos."

    As celebridades sugeridas por Lynton incluíam George Clooney, Kerry Washington, Julia Louis-Dreyfus, assim como grandes cineastas como David Fincher e Steven Spielberg. "Também incluiríamos Natalie Portman, que acabou de fazer um filme em Israel e está muito envolvida lá", dizia um email.

    As ligações da Sony com o governo dos Estados Unidos, entretanto, vão além dos emails trocados com o Departamento de Estado. Documentos revelam que Lynton também esteve em contato com o presidente e inclusive jantou com os Obamas. O Wikileaks também revelou um email do senador democrata Chuck Schumer, que detalhava suas preocupações com uma suposta ameaça russa.

    "Putin é pouco mais do que um valentão de colégio, então se ele se negar a recuar, devemos ter  a Europa como parte de uma solução agressiva", escreveu Schumer para Amy Pascal, executiva sênior da Sony. "Sanções já o machucaram, e as ameaças de expulsar a Rússia da Organização Mundial do Comércio e proibi-la de receber a próxima Copa do Mundo nos deixam em uma posição muito boa."

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    Tags:
    documentos, propaganda, Sony Pictures, WikiLeaks, Estado Islâmico, Julian Assange, Hollywood, EUA, Rússia
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