20:40 22 Maio 2018
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    O Exército dos EUA disse que vai investigar as acusações recentemente publicadas a respeito dos estupros cometidos em meados dos anos 2000 por seus soldados e contratantes na Colômbia

    Imperialismo Sexual: estupros cometidos por soldados dos EUA na Colômbia serão julgados

    © AP Photo / Ricardo Mazalan
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    O Exército dos Estados Unidos disse que vai investigar as acusações recentemente publicadas a respeito dos estupros cometidos em meados dos anos 2000 por seus soldados e contratantes na Colômbia.

    Em um relatório de 800 páginas sobre a atuação dos grupos armados no país latino-americano, uma seção intitulada "Imperialismo Sexual" descreve o estupro de 53 meninas nas cidades de Melgar e Girardot – crimes que ainda foram filmados e vendidos como pornografia. Outro caso bem conhecido na Colômbia, o de uma garota de 12 anos estuprada por dois norte-americanos em 2007, também foi incluído no documento. Os dois homens foram retirados do país e nunca foram indiciados.

    "Existe informação abundante sobre violência sexual com total impunidade, graças a acordos bilaterais e à imunidade diplomática para autoridades dos EUA", diz o relatório, referindo-se aos Acordos de Situação de Forças (SOFA, na sigla em inglês), que dão aos militares e contratantes norte-americanos “em serviço” imunidade judicial sobre crimes cometidos em territórios estrangeiros.

    "Agentes especiais do Comando de Investigação Penal do Exército dos EUA estão atualmente se coordenando com as autoridades colombianas e darão início a uma investigação sobre todas as alegações verossímeis de violência sexual ou atos criminosos cometidos por soldados norte-americanos, enquanto [eles estavam] nesse país", declarou Chris Grey, porta-voz do departamento investigativo militar norte-americano, em entrevista ao jornal USA Today. "Levamos esta questão muito a sério e vamos perseguir agressivamente todas as alegações credíveis", disse ele.

    O relatório foi divulgado em fevereiro pela “Comissão Histórica da Colômbia sobre o Conflito e suas Vítimas”, grupo formado em agosto de 2014 em meio aos diálogos de paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Com 12 especialistas e dois relatores, a comissão analisou 50 anos do conflito, cujo número de vítimas é estimado em 200 mil pessoas, com o objetivo de oferecer uma visão multilateral, plural e neutra sobre a violência armada no país. 

    Helicóptero da Força Aérea da Colômbia decola de base militar em Quibdo, Departamento de Choco, em 19 de novembro de 2014, para reforçar operações de busca do General Ruben Alzate, sequestrado pelas FARC
    © AFP 2018 / LUIS ROBAYO
    Militar e financeiramente, os EUA sempre apoiaram o governo colombiano em sua luta contra as FARC, apesar das frequentes acusações de abusos dos direitos humanos por parte das forças estatais. Além das denúncias de agressão sexual, os norte-americanos também têm sido acusados de apoiar efetivamente os esquadrões da morte organizados pelos militares colombianos.

    De acordo com a Anistia Internacional, o Departamento de Estado dos EUA continuou a aprovar o envio de ajuda para Bogotá, "apesar da evidência esmagadora da falha contínua em proteger os direitos humanos” no país. Segundo a ONG, Washington continuou jogando “lenha na fogueira das violações já generalizadas dos direitos humanos, do conluio com grupos paramilitares ilegais e da quase total impunidade".

    Sobre o tema da violência sexual, o relatório da Comissão colombiana também observa que tais abusos são "semelhantes aos efeitos produzidos em cada lugar onde militares dos Estados Unidos podem ser encontrados, como as Filipinas, o Japão e a Coreia do Sul".

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    Tags:
    direitos humanos, estupro, pornografia, imperialismo sexual, FARC, Girardot, Melgar, EUA, Colômbia
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