07:55 21 Novembro 2017
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    Shinzo Abe e Xi Jinping

    A dura escolha do Japão

    © AP Photo/ Kim Kyung-Hoon, Pool
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    As negociações entre os ministros das Finanças chinês e japonês serão realizadas pela primeira vez desde há três anos, segundo declarou na segunda-feira (7) o ministro japonês Taro Aso, em Tóquio, durante uma coletiva de imprensa.

    As conversas devem decorrer na capital da China, Pequim, em junho de 2015. Um dos temas principais deverá ser a participação do Japão no Banco Asiático de investimento em Infraestrutura (AIIB, na sigla em inglês), criado pela China.

    Na semana passada o Japão declarou que não tem planos de se juntar ao AIIB. Entretanto, mais de 50 países já aderiram ao banco, inclusive vários aliados dos EUA – Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Coreia do Sul. Os norte-americanos não foram capazes de impedir a criação do banco e declararam mesmo a intenção de cooperar com o AIIB.

    Portanto, Tóquio percebeu que pode ficar isolado após a criação da nova estrutura política e financeira. O Japão também pode recear que os EUA não sejam capazes de garantir a segurança do Japão numa altura em que o poder da China continua a aumentar.

    Daí o aceno para a China e o interesse em participar no projeto chinês. 

    Um outro gesto significativo foi o “remorso profundo” do Japão em conexão com a agressão contra a China na Segunda Guerra Mundial que foi expresso em 7 de abril pela chancelaria japonesa. Tal formulação é usada pela primeira vez, nota o especialista Valery Kistanov, chefe do Centro de Estudos Japoneses do Instituto do Extremo Oriente russo:

    Ele também declarou que no Japão aumenta a ansiedade pela política do premiê Shinzo Abe.

    “Shinzo Abe é considerado um falcão na política externa – levando ao aumento do poder militar japonês e a uma maior utilização das forças de autodefesa no exterior.”

    “Para minorar a ansiedade, o governo japonês ao que parece, tomou esta decisão – publicou pela primeira vez um livro branco da política externa onde mostrou arrependimento. Este foi um gesto forçado.”

    O passo de publicar o livro branco foi dado na véspera do 70º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial. E isso não aconteceu por acaso, opina Aleksandr Larin, especialista do Centro de Estudo da China no Instituto do Extremo Oriente:

    “Aparentemente, chegaram à conclusão de que agora é o momento certo para fazer algumas mudanças na sua posição. Um fator significativo foi a intensa pressão da China que, direta e  repetidamente  exigiu ao Japão que mudasse a sua posição e pedisse desculpas.”

    Assim, parece que o "gelo" diplomático nas relações sino-japonesas, começa a derreter gradualmente. O início mostra-se reservado, bem como o aperto de mão entre Shinzo Abe e o presidente Xi Jinping, à margem do fórum da APEC, em novembro, em Pequim.

    Na quarta-feira, 8 de abril, será realizada a visita de quatro dias ao Japão da delegação do parlamento chinês, chefiada pelo vice-presidente do Comitê Permanente da APN, Ji Bingxuan.

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    Tags:
    diplomacia, política, reunião, negociações, Ministério das Finanças, Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB), Shinzo Abe, Xi Jinping, China, EUA, Japão
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