07:16 18 Outubro 2017
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    Seguidores do movimento Houthi em manifestação de repúdio à interferência estrangeira nos assuntos internos do Iêmen em Sanaa

    Península de tempestades: por que Arábia Saudita lançou guerra no Iêmen?

    © REUTERS/ Mohamed al-Sayaghi
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    A decisão de iniciar a campanha militar em países árabes do Iêmen foi tomada com unanimidade e velocidade surpreendente, geralmente incomuns para os Estados árabes.

    A operação Tempestade Decisiva que foi lançada por Arábia Saudita contra houthis (grupo rebelde xiita) marca uma nova etapa em uma série de conflitos no Oriente Médio.

    A Arábia Saudita anunciou a intenção de defender a sua posição como o centro regional de poder, não apenas por meio da diplomacia e do investimento financeiro, mas também pela força. Agora é o Irã que deve responder, porque de fato a declaração dos sauditas e dos seus aliados é dirigida principalmente ao Irã, e o Iêmen é apenas uma ocasião para esclarecer as relações.

    No mês passado, quando políticos do Iêmen visitaram Moscou a convite da Duma de Estado (câmara baixa do parlamento russo), eles garantiram que, apesar da crise política, a situação no país está longe dos conflitos armados e do que está acontecendo na Síria e no Iraque. Agora a possibilidade de resolver a crise sem o uso da força está perdida.

    Em frente, está apenas o caos. As tribos do Iêmen são muito fragmentadas, e os houthis foram uma das forças capazes de garantir segurança nos territórios sob seu controle.

    Tem razão lembrar que foram eles que estavam combatendo os grupos terroristas da Al-Qaeda e Estado Islâmico na região. O enfraquecimento dos houthis inevitavelmente levaria ao aumento do terrorismo caso, o vácuo de poder não seja preenchido. Não por acaso, Moscou exigiu a todas as partes "para que cessem imediatamente todas as formas de hostilidades".

    A questão da formação das forças armadas árabes e a intervenção militar no conflito iemenita só deveria ser discutida em uma reunião de chanceleres da Liga Árabe na quinta-feira (26), e no sábado (28) a organização na cimeira no de Sharm el-Sheikh (resort egípcio) deveria considerá-la. No entanto, isso aconteceu muito mais rápido.

    A operação militar começou dois dias após Hadi enviar notificação ao Conselho da Segurança da ONU. As negociações sobre a criação das forças armadas árabes para combater o terrorismo, em primeiro lugar Estado islâmico, iniciadas pelo Egito, já se arrastam por mais de um mês.

    Nenhum país árabe se juntou ao Egito quando as suas forças atacaram as posições dos terroristas na Líbia. A guerra civil da Líbia já dura vários anos. O diálogo é interrompido, e o poder várias vezes tem passado de umas mãos a outras, mas ninguém interveio. O Egito atacou somente após terroristas matarem seus cidadãos.

    As situações no Bahrein e Iêmen são de natureza diferente, similar em um fator – em ambos os Estados existe o confronto entre xiitas e sunitas. Em ambos os países, o problema não é causado pelo fator religioso, as causas dos conflitos são mais de natureza social, mas eles afetam a luta entre a Arábia Saudita (juntamente com outros Estados sunitas) e o Irã.

    Especialistas comentam a situação no Iêmen

    Emad Abshenas, especialista iraniano em questões econômicas e políticas da emissora Sputnik, o editor-chefe do jornal iraniano Iran Daily (Irã Diário), opina que pessoas do Iêmen têm bastante armas para se proteger sem ajuda externa:

    “No que toca ao apoio e armas do Irã, é improvável. Porque em Sanaa este não deve ser o problema. Segundo alguns relatos, o número total de arsenal militar, nomeadamente Kalashnikovs, no Iêmen, é mais de três vezes a população do próprio país. […] Os iemenitas têm armas suficientes para se defender”.

    A especialista alemã em questões de islamismo e Iêmen, Marie-Christine Heinze, opina que o Irã não será a parte do conflito no Iêmen:

    “O Irã apoiou os houthis, bem como o Hezbollah, mas não por meios militares, não havia fornecido as armas, não foi provado. Eles os apoiaram estrategicamente, com preparação de pessoas em campos de treinamento. O Irã agora tem outras preocupações relacionadas com o seu programa nuclear e não vai se envolver no conflito militar. Mas, claro, tudo isso levará a uma nova escalada do conflito entre a Arábia Saudita e o Irã”.

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    Tags:
    bombardeio, terrorismo, Al-Qaeda, Estado Islâmico, Iêmen, Oriente Médio, Irã, Arábia Saudita
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