06:11 22 Outubro 2017
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    Sahra Wagenknecht, Linke-Vizefraktionschefin im Bundestag

    Entrevista: Deputada do Bundestag critica sanções dos EUA contra a Rússia

    © AP Photo/ Markus Schreiber
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    Guerra de sanções entre Rússia e Ocidente (179)
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    Deputada e vice-chefe do partido A Esquerda (Die Linke), Sahra Wagenknecht, cedeu entrevista à alemã SNA, na qual teceu comentários sobre as sanções contra a Rússia e as condições atuais da economia ucraniana.

    – Na última reunião de cúpula da União Europeia foram discutidas as sanções aplicadas à Rússia, cujo prazo decorre em meados de 2015. O seu prolongamento, no entanto, já é dado como quase certo. O que você pensa sobre essa perspectiva?

    – Na minha opinião, isso é um absurdo. Considerei estas sanções como equivocadas desde o início. E elas não se tornarão melhores caso forem estendidas. O fato delas serem associadas ao processo de Minsk gera muitas dúvidas. Sou totalmente a favor do cumprimento dos acordos de Minsk, totalmente a favor de o governo da Alemanha continuar insistindo nesse caminho. Mas há quem tente minar esse acordo e o processo de paz, e antes de tudo eu me refiro àqueles que fornecem armas e instrutores militares dos Estados Unidos e da Grã Bretanha. Se for para reagir a tudo isso com sanções, em breve teremos apenas sanções econômicas. Isso é uma estratégia imprudente.

    – A manutenção das sanções está ligada ao cumprimento dos acordos de Minsk. Mas, na sua opinião, as sanções trazem mais prejuízos do que benefícios?

    – Primeiramente elas prejudicam a economia europeia, a economia alemã. Os EUA estão muito bem nesta situação porque antes disso eles já não tinham fortes relações econômicas com a Rússia. Além disso, sabe-se que os EUA têm forte interesse em expulsar o gás russo da Europa, já que somente assim eles serão capazes de vender o seu gás de xisto, que é consideravelmente mais caro. Existem interesses econômicos concretos em jogo. Eu acredito que a Europa não deveria ser tão ingênua novamente a ponto de agir contra seus próprios interesses. As sanções econômicas são claramente contrárias aos interesses europeus.

    – Você disse que, ao introduzir sanções contra a Rússia, também seria correto aplicar sanções aos EUA e à Grã-Bretanha. Como estas sanções poderiam ser justificadas?

    – Para mim está muito clara a diferença entre os interessados nos acordos de Minsk, entre os que querem seguir pela via pacífica, e aqueles que possuem grande interesse em amplas ações militares. Por exemplo, a questão do envio de instrutores e armas para a Ucrânia foi praticamente decidida e não está mais em discussão nos Estados Unidos. As armas já estão sendo enviadas e as remessas, provavelmente, irão somente aumentar. Está totalmente claro que isso não ajuda, mas apenas compromete o processo de paz.

    – No início dessa semana a Câmara dos Representantes aprovou uma resolução exigindo do Presidente Barack Obama o envio de armas letais para a Ucrânia. Será que Obama irá atender a esse pedido? Que consequências isso traria à Ucrânia?

    – Até agora Obama vinha tentando promover uma política neutra em relação a essa questão. De qualquer forma, ele não passa a impressão de estar ávido em fornecer esses armamentos. Ele está sob pressão. Os republicanos exigem isso. E as assim chamadas armas não letais já chegaram a ser fornecidas. Portanto, eu considero óbvia a existência de forças influentes nos EUA que querem minar o processo de paz e que preferem reforçar a influência da retórica militar. Ânimos parecidos são observados nos círculos do governo ucraniano, dos quais ouvimos vozes que dificilmente podem ser tratadas como partidárias dos acordos e do processo de paz de Minsk.

    – O documento da Câmara dos Representantes afirma que uma Ucrânia independente, democrática e prospera atende aos interesses dos EUA. O que esta afirmação significa?

    – É uma frase vazia. Quando os EUA falam de democracia e direitos humanos, geralmente estão mirando interesses econômicos e direitos de exploração de recursos. Ucrânia não é exceção. É de conhecimento geral que o genro do vice-presidente americano é membro do conselho de diretores da maior empresa de gás da Ucrânia. As corporações agrárias também desejam ganhar acesso à Ucrânia, às suas terras férteis. Eles pretendem explorar a Ucrânia. Duvido que isso seja de interesse do seu povo e que realmente contribua para uma política social e de manutenção da paz. 

    – Ou seja, há uma certa hipocrisia nas declarações da Câmara dos Representantes?

    – É como sempre. Já conhecemos como isso funciona através das decisões sobre política externa dos EUA. Iraque também foi ocupado com o pretexto de eliminar armas de destruição em massa que não existiam. Não é espantoso o fato dos Estados Unidos combaterem as ditaduras justamente nos países onde eles perseguem algum interesse econômico? E por outro lado, conseguem cooperar de modo perfeito com ditadores de outras regiões, por exemplo, na Arábia Saudita? Portanto, “hipocrisia” seria um termo demasiado diplomático.

    – O premiê ucraniano, Yatsenyuk, disse que a economia do seu país foi reduzida em um quarto em função do conflito. De que modo poderíamos ajudar o país a levantar?

    – O problema consiste no fato da economia ucraniana ter sofrido redução não somente em função da guerra, mas também da intenção de limitar a sua cooperação com a Rússia. A economia sofreu sérios danos. A indústria pesada no leste ucraniano trabalha para o mercado da Rússia. Se os laços econômicos com a Rússia forem cortados, Ucrânia não terá mais perspectivas. O país precisa retornar para a Comunidade Econômica Eurasiática. Isso não exclui a cooperação econômica com UE, mas evita o confronto com a Rússia. Ucrânia deveria, como fazia antes, atuar em duas direções. E neste momento, o país necessita, antes de tudo, de paz. Também precisa de investimentos, de reindustrialização. Já as condições atuais, por exemplo, condições do FMI, não contribuem para esse processo. Essas condições provavelmente sufocarão o país.

    Tema:
    Guerra de sanções entre Rússia e Ocidente (179)
    Tags:
    Acordos de Minsk, sanções, Bundestag, Sahra Wagenknecht, Grã-Bretanha, Alemanha, EUA, Ucrânia, Rússia
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