19:45 30 Março 2017
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    China's 2015 defense budget will increase 10% over the previous year, a continuation of a years-long expansion of the military and increased investment in high tech equipment.

    Crise ucraniana abre uma janela de oportunidade à China

    © AP Photo/ Ng Han Guan
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    Vasily Kashin
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    A crise ucraniana, mesmo se os acordos de Minsk forem cumpridos de forma integral, terá consequências político-militares de longo prazo para a situação no Leste da Ásia.

    E estas consequências serão muito favoráveis para a República Popular da China: Pequim obterá por vários anos uma janela de oportunidade para reforçar a sua influência na região da Ásia-Pacífico.

    No presente momento, a situação na Ucrânia se está formando de modo que os compromissos do Acordo de Minsk II possam ser cumpridos, pelo menos parcialmente. As suas cláusulas relativas à reforma constitucional na Ucrânia e as – indissoluvelmente ligadas a estas – referentes à recuperação do controle da fronteira por parte de Kiev, na prática, são de difícil cumprimento, ao passo que a implementação do cessar-fogo e a retirada das armas pesadas a partir da linha de frente se apresentam bem viáveis.

    Exército chinês
    © AFP 2017/ FREDERIC J. BROWN / AFP
    No entanto, estas últimas medidas não farão mais que reduzir em certa medida o grau de tensão. Sendo resultado da derrota das Forças Armadas da Ucrânia no bolsão de Debaltsevo, o Acordo de Minsk II foi um passo forçado tanto para a Ucrânia como seus aliados ocidentais que não estão satisfeitos com o teor das suas cláusulas. Por conseguinte, as contradições entre a Rússia e os EUA irão se manter no Leste da Europa.

    Os planos já anunciados de reforçar a presença militar da OTAN na Europa Oriental e prestar a assistência militar à Ucrânia serão, a julgar por todos os indícios, implementados e mesmo expandidos. Na situação de crise na zona do euro, o fardo principal da execução desses planos vai recair, como de costume, sobre os ombros dos Estados Unidos.

    Trata-se, nem mais nem menos, de implantar uma rede de centros de comando no Leste Europeu, aumentar para mais do dobro o número de efetivos das forças de intervenção rápida da OTAN e assegurar a presença constante na Europa Oriental das forças norte-americanas sob o pretexto de exercícios.

    Além disso, será quase inevitável um aumento significativo da ajuda estadunidense para a Ucrânia. Em novembro, o governo dos EUA já lhe alocou assistência militar no valor de 118 milhões de dólares. Juntamente com a ajuda humanitária e econômica, as verbas destinadas a Kiev totalizam 320 milhões de dólares. Foram garantidos também empréstimos no montante de 1.000 milhões de dólares. Em meio às conversações sobre o possível envio de armas letais à Ucrânia, é importante entender que os EUA terão que fornecer essas armas gratuitamente, porque a Ucrânia não tem dinheiro.

    Em geral, os EUA e a UE embarcam, no caso da Ucrânia, em um projeto ambicioso de refazer um enorme país, um projeto que se assemelha ao fracassado no Iraque. A diferença entre a Ucrânia e o Iraque consiste em que o Iraque foi capaz de financiar as suas necessidades mediante exportações de petróleo, enquanto a Ucrânia já não tem nenhuns recursos úteis.

    Mesmo no caso de afrouxamento e pacificação do conflito, a Ucrânia não deixará de ser um dos potenciais pontos quentes de maior relevância global, o que tem grande importância para os EUA, cujo prestígio e a influência internacionais são baseados no papel especial que este país desempenha na segurança europeia.

    Nesta área geográfica, os EUA não se podem dar ao luxo de mostrar fraqueza frente à Rússia. Contudo, as reservas para o aumento das despesas orçamentais de Washington continuam sendo limitadas. A prolongação da crise na Europa Oriental, conjugada com a nova escalada de tensões no Oriente Médio, onde a Casa Branca já está atolada na guerra com o Estado Islâmico, torna questionável a implementação da estratégia de "retorno à Ásia" do presidente Obama.

    Envidando todos os esforços para dissuadir militar e isolar diplomaticamente a Rússia, os Estados Unidos enfrentarão dificuldades em aumentar, ao mesmo tempo, a sua presença militar na Ásia Oriental. De forma que a China possa receber, pela segunda vez neste século, vários anos de "trégua estratégica" para retomar fôlego, acumulando com calma as forças e consolidando suas posições na política internacional. A primeira "trégua" seguiu-se aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 e às posteriores campanhas militares no Afeganistão e Iraque.

    Ao contrário da primeira "trégua", é pouco provável que a China vá aproveitar a segunda "trégua" simplesmente para potenciar suas capacidades internas. Durante a última década, a China tem dado um enorme salto não só na economia, mas também na esfera militar e técnico-militar.

    A China está no umbral de um período de oportunidades sumamente favoráveis para alterar e aumentar o seu papel e a sua influência nos assuntos regionais e mundiais. Não obstante, este período a duras penas se prolongará para mais de um decênio, e Pequim terá que usá-lo para que surta o máximo efeito.

    Tags:
    Acordos de Minsk, Exército, política, OTAN, União Europeia, China, EUA, Ucrânia
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