18:19 04 Dezembro 2016
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    Líderes dos países do BRICS durante a cúpula de G20 em Brisbaine

    Em 2015, BRICS continua campanha pelo mundo multipolar

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    Vladimir Kultygin
    BRICS: organização do futuro (187)
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    O Brasil, a segunda maior economia do BRICS, cedeu a presidência rotativa neste grupo à Rússia. O que espera os cinco países emergentes em 2015? Acompanhe os principais acontecimentos ocorridos nos países do grupo em 2014.

    No ano de 2014, uma série de acontecimentos importantes ocorreu no Brasil. O país sediou a Copa do Mundo de futebol e re-elegeu a presidente Dilma Rousseff para mais um mandato de quatro anos. Além disso, imediatamente depois da Copa, teve lugar a cúpula dos presidentes do BRICS.

    O ano foi cheio de eventos e acontecimentos para o BRICS. No quadro das relações entre os países do grupo, o evento principal foi a cúpula dos chefes de Estado dos países membros, que teve lugar em Fortaleza e Brasília em meados de julho. Fortaleza, aliás, foi uma das cidades anfitriãs da Copa, de modo que a preparação para os dois eventos foi simultânea aqui.

    Na cúpula em Fortaleza, em 15 de julho, foi formalizada a criação do Banco de Desenvolvimento do BRICS. A presidência do organismo, criado no ano anterior com o intuito de se ter uma alternativa ao FMI (Fundo Monetário Internacional) e ao Banco Mundial (BM), foi bastante concorrida por todos os Estados. Optou-se por uma primeira sede em Xangai, grande cidade chinesa e símbolo da economia emergente, por uma primeira presidência do Conselho de Administração brasileira e uma primeira presidência do Conselho de Governadores russa.

    O embaixador José Botafogo Gonçalves disse em uma entrevista antes da cúpula de julho, a questão da presidência e local do novo banco foi tanto política, como econômica. Principalmente, econômica, claro: deve ter critérios de funcionamento claros e favoráveis à inclusão econômica, social e política da população desses cinco países “gigantes” que representam quase 40% da população mundial:

    “Embora politicamente seja muito importante você ser a sede do Banco de Desenvolvimento, eu não diria que seja uma questão importante do ponto de vista da substância econômica. É uma questão importante do ponto de vista da imagem. Mas o importante é o seguinte. Se esse banco selecionar projetos de rentabilidade concreta, retorno do capital investido, eu acho que esse banco terá sucesso, ainda que esteja localizado no país A, no país B ou no país C”.

    Outro assunto importante sugerido na cúpula foi a eventual ampliação do BRICS, onde a Argentina seria a nova letra. Porém, isso está ainda longe da discussão, vistas as dificuldades que o país está experimentando agora. Contudo, o país do Cone Sul foi eleito presidente do Mercosul, união econômica latino-americana de grande importância para a região. O Mercosul, como o BRICS, são fatores da construção de um polo de atração de investimentos e atividade econômica e política distinto do representado pelo FMI e BM. Neste aspecto, objetivos dos dois organismos coincidem.

    Também, na cúpula foi assinado um acordo de cooperação entre o Brasil e a Rússia na área espacial. Particularmente, trata-se do projeto conjunto de instalação da instalação de uma estação russa de monitoramento espacial e da implementação do projeto russo de navegação por satélite Glonass no Brasil. O Glonass ainda servirá, na primeira etapa, como uma alternativa experimental ao GPS norte-americano, mas se demonstra maior eficiência e competividade, talvez possa ter maior importância para o Brasil. Segundo o professor Geovany Borges, coordenador brasileiro do projeto Glonass, explicou assim a situação:

    “O princípio de operação é basicamente o mesmo. Para nós, os brasileiros, vai ser mais um sistema alternativo, no caso de algum problema com o sistema dos EUA, redução dos satélites americanos, porque eles têm também questões para lidar, o Glonass pode vir a prover esse intervalo”.

    Ambos os projetos têm participação e patrocínio da Agência Espacial Brasileira (AEB), que também mantém parceria com outros países.

    Já no quadro da parceria aeroespacial sino-brasileira, é preciso lembrar o bem-sucedido lançamento do satélite de monitoramento da Terra CBERS-4, neste dezembro.

    O estado da pesquisa espacial brasileira pode estar longe do ideal, como já afirmou o colunista científico da Folha de São Paulo Salvador Nogueira, mas, aos poucos, parece estar se reforçando.

    Cooperação entre os dois países também existe na área da pesquisa científica e educação. A cúpula de universidades dos países do BRICS, realizada em Moscou e São Petersburgo há dois meses, aprovou um plano de ações conjuntas neste sentido. Trata-se principalmente da parceria entre as universidades brasileiras que fazem parte do projeto Ciência sem Fronteiras e as universidades e centros de pesquisa científica e tecnologia russos do projeto 5-100.

    Os focos mais importantes são, segundo os organizadores, a área de estudos energéticos e de matérias-primas, a aeroespacial e a biomédica. Para se ter mais projetos conjuntos e o que chamaram de internalização de universidades e da educação, é preciso fomentar a mobilidade docente e estudantil, assim como também o estudo das línguas. O inglês continua sendo o principal, mas a importância do português (para a Rússia) e do russo (para o Brasil) é a cada vez mais reconhecida.

    Segundo os representantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a cooperação na área da pesquisa científica é muito importante:

    “Em uma linha geral, acho que a estratégia que os nossos países estão adotando é muito acertada. Unidos, conseguem superar as dificuldades que são inerentes ao processo de desenvolvimento. Serve também para se conhecer melhor. A Rússia sai de um cenário político diferente, o Brasil é outra realidade. A cooperação demanda inovação, estratégia, demanda que as coisas sejam pensadas, planejadas e construídas com muita tecnologia, muito cuidado”.

    Em 25-29 de abril de 2015, a FAUBAI (Fórum de Assessorias das Universidades Brasileiras para Assuntos Internacionais) organiza uma conferência em Cuiabá, onde também estará presente a delegação russa.

    2015, um ano quente

    Os cientistas e observadores políticos concordam que 2015, que acaba de começar, vai ser um ano quente para o Brasil. Mas para o BRICS, também. A união fez passos importantes até agora, mas é o começo do caminho. Neste ano, entre outras coisas, o grupo planeja fortalecer a sua presença na arena mundial, graças em parte à atividade do Banco do Desenvolvimento e ao Arranjo Contingente de Reservas, mas também por conta do estreitamento das relações e da cooperação internacional a vários níveis e em várias áreas.

    Tema:
    BRICS: organização do futuro (187)
    Tags:
    Glonass, Mercosul, FMI, BRICS, África do Sul, Índia, China, Rússia, Brasil
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