18:41 02 Agosto 2021
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    Uma testemunha-chave no processo do Departamento de Justiça dos EUA contra Julian Assange, Sigurdur Ingi Thordarson, confessou em uma entrevista que mentiu em suas declarações usadas pelo governo norte-americano para acusar o fundador do WikiLeaks.

    Thordarson, um ex-voluntário do WikiLeaks da cidadania islandesa, confessou que fabricou a alegação de que Assange o tinha instruído a cometer invasões em computadores ou a hackear na Islândia, conforme o jornal Stundin.

    "De fato, Thordarson agora admite ao Stundin que Assange nunca lhe pediu para hackear ou acessar gravações telefônicas de parlamentares [da Islândia]", de acordo com mídia islandesa.

    "Sua nova alegação é que ele, de fato, tinha recebido alguns arquivos de uma terceira parte que alegou ter gravado parlamentares e propôs compartilhá-los com Assange sem ter nenhuma ideia do que eles realmente continham", segundo o jornal. A testemunha afirmou que nunca verificou o conteúdo dos arquivos oferecidos.

    Thordarson forneceu à mídia registros de chats de 2010 e 2011, o que indica sobre seus pedidos frequentes para que hackers atacassem ou roubassem informações de entidades e sítios islandeses. O jornal declarou que não encontrou provas de que Thordarson tivesse sido instruído para fazer esses pedidos por alguém dentro do WikiLeaks.

    "Além disso, ele nunca explicou por que o WikiLeaks estaria interessado em atacar quaisquer interesses na Islândia, especialmente em um momento tão sensível, enquanto estavam publicando uma enorme quantidade de telegramas diplomáticos dos EUA como parte da parceria internacional de mídia", conforme refere o jornal.

    O então ministro do Interior irlandês, Ogmundur Jonasson, disse que os Estados Unidos "estavam tentando usar as coisas aqui [na Islândia] e usar as pessoas em nosso país para tecer uma teia, uma teia de aranha que apanharia Julian Assange".

    O ex-administrador de sistemas da Agência de Segurança Nacional dos EUA Edward Snowden reagiu ao artigo do Stundin, dizendo que "isto é o fim do processo contra Julian Assange".

    Em janeiro, a Justiça britânica decidiu não extraditar Assange aos EUA, citando razões de saúde e risco de suicídio no sistema prisional norte-americano. Assange é acusado de espionagem e de fraude informática após o WikiLeaks ter publicado milhares de arquivos secretos e informações classificadas que lançam luz sobre possíveis crimes de guerra cometidos pelas tropas dos EUA no Iraque e Afeganistão. O fundador do WikiLeaks pode pegar até 175 anos em prisão de alta segurança caso seja condenado nos Estados Unidos.

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    Tags:
    testemunha, Reino Unido, Julian Assange, WikiLeaks, Islândia, EUA
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