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    As tropas da Bundeswehr, Forças Armadas da Alemanha, estão estacionadas no Afeganistão desde 2002, quando o país interveio no conflito ao lado dos EUA, seu aliado na OTAN, depois que os próprios Estados Unidos invadiram o país no final de 2001 sob pretexto de responder aos ataques terroristas de 11 de setembro.

    A Alemanha pretende acelerar a retirada de suas forças do Afeganistão e planeja concluir o processo até 4 de julho, segundo informou a Deutschen Presse-Agentur, citando uma comunicação do Ministério da Defesa a membros do parlamento alemão, o Bundestag.

    Cerca de 1.100 soldados alemães estão estacionados no Afeganistão no momento, sendo o maior contingente de uma força estrangeira no país depois dos Estados Unidos.

    O Bundestag estendeu a missão no Afeganistão por mais 10 meses em março, várias semanas antes do anúncio do presidente norte-americano Joe Biden em abril sobre a retirada das forças do país até o 20º aniversário dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Depois disso, a OTAN anunciou que também retirará suas forças dentro do prazo estabelecido pelos EUA.

    No Afeganistão foram mortos 59 soldados alemães durante a missão, que marcou seu 19º aniversário em janeiro. A operação no Afeganistão foi a mais sangrenta da história militar da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial.

    Quando as tropas foram implantadas pela primeira vez, aos militares foi prometido que ficariam estacionados no país por um curto período de tempo para estabilizar o país e restaurar a ordem. Sua missão durou mais de uma geração, com os militares alemães participando intensamente do treinamento das forças de segurança afegãs.

    Segundo foi reportado, a guerra teria custado a Berlim mais de € 17 bilhões (R$ 113 bilhões), uma soma considerável, mas que é muito menor que os mais de US$ 2 trilhões (R$ 11 trilhões) gastos pelos Estados Unidos no conflito afegão.

    Administração Trump possibilitou retirada

    O fim da missão norte-americana e da OTAN no Afeganistão foi tornado possível pelo governo do então presidente dos EUA Donald Trump, que em fevereiro de 2020 assinou em Doha um acordo de paz com o Talibã que prometia a retirada de todas as forças estrangeiras do Afeganistão em troca de um compromisso da milícia islâmica de não permitir que terroristas como a Al-Qaeda e o Daesh (organizações proibidas na Rússia e em vários outros países) operem livremente no país e planejem ataques contra o Ocidente.

    O acordo de Doha previa a retirada de todas as forças estrangeiras do Afeganistão até 1º de maio. Quando Biden tomou posse, ele atrasou a retirada do contingente militar. Biden anunciou que a retirada final começaria em maio e seria concluída em 11 de setembro.

    O Talibã alertou os EUA e seus aliados para que seguissem os termos do acordo original e afirmou de forma ameaçadora na semana passada que "os problemas certamente se agravarão" se o acordo for violado e as tropas estrangeiras não deixarem o Afeganistão na data combinada.

    Na terça-feira (20), o general Kenneth McKenzie, chefe do Comando Central dos EUA, disse aos legisladores da Câmara que tinha "sérias dúvidas" sobre a "confiabilidade" do Talibã e indicou que os EUA estariam "posicionando poder de combate significativo para se proteger" da milícia se esta tentar "interferir" no "reposicionamento ordenado" dos EUA.

    McKenzie acrescentou que "se" os EUA saírem, eles poderiam continuar realizando missões de "contraterrorismo" no Afeganistão usando drones, mísseis, aeronaves tripuladas e até possíveis ataques terrestres, embora com eficiência reduzida.

    A guerra no Afeganistão é a mais longa da história dos Estados Unidos e da OTAN. O conflito custou a vida a mais de 38 mil civis, mais de 65 mil membros das forças de segurança afegãs, mais de 3,5 mil soldados da coalizão, 4 mil mercenários ocidentais e de 67 mil a 72 mil combatentes do Talibã. A guerra também deixou mais de 60 mil afegãos feridos e deslocou milhões de civis.

    Apesar do fracasso de sua iniciativa de "construção da nação", os EUA e a OTAN consideraram a guerra um sucesso. A vice-secretária assistente interina da Defesa Amanda Dory disse ao Congresso na terça-feira (20) que a missão de "prevenir que grupos terroristas usem o país para ameaçar os interesses e a segurança dos Estados Unidos, nossos aliados e parceiros" foi bem-sucedida, e que "depois de duas décadas […] cumprimos essa missão".

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    Tags:
    militares, tropas, Afeganistão, EUA, Alemanha
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