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    Situação da COVID-19 em meados de abril no mundo (75)
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    Sob pressão dos profissionais de saúde e políticos, o governo da França fechou a fronteira com o Brasil em 13 de abril devido à propagação da variante brasileira da COVID-19, chamada de P.1. O economista francês Philippe Murer acredita que é uma decisão tardia e a situação revela a fragilidade da estratégia governamental da França.

    O economista francês Philippe Murer afirmou em entrevista à Sputnik França que o país tardou em suspender todos os voos do Brasil à França, o que foi anunciado na terça-feira (13) pelo primeiro-ministro francês, Jean Castex.

    No momento em que a COVID-19 devasta a América Latina e o vírus matou 361 mil pessoas no Brasil em um ano, surgiram preocupações de que a nova variante brasileira, denominada de P.1, entraria no território da França.

    O pessoal médico e os políticos expressaram suas preocupações através de vários meios de comunicação, como o jornal Le Parisien. Todos apelaram ao governo para que reforce o controle de entrada das pessoas provenientes do Brasil, onde existe uma variante do vírus provavelmente mais contagiosa e mais resiste às vacinas.

    ​AO VIVO - Jean Castex fala da variante brasileira perante os deputados: "O agravamento da situação no Brasil poderia nos levar a tomar medidas adicionais".

    'Loucura' de 'todos vacinados'

    A variante brasileira, tal como a variante sul-africana, já está no território francês, mas em quantidade pequena, sendo responsável apenas por 1% de infeções, segundo o Ministério da Saúde da França. As preocupações dos especialistas que apelam ao reforço do controle na fronteira seriam justificadas?

    O economista Philippe Murer discorda. Segundo ele, o verdadeiro problema é sair da crise contando apenas com a vacina.

    "Se a variante brasileira começar a espalhar-se na França, o risco é de que resistirá às vacinas distribuídas em nosso território, como afirmaram vários cientistas. Ter feito de 'todos vacinados' a única saída para parar a epidemia é uma loucura que a variante brasileira corre o risco de expor!", disse Murer.

    Os estudos sobre a resistência da variante brasileira da COVID-19 às vacinas ainda são incertos e causam debates na comunidade científica. No entanto, a cepa brasileira tem impacto conhecido no "escape imunitário" após infeção e vacinação. Provavelmente, será mais resistente às vacinas e aos anticorpos segregados durante a primeira infecção.

    "Isso significa que seria preciso nos revacinarmos após seis meses para sermos mais resistentes e adaptar constantemente as vacinas ao surgimento de variantes? Isso não terá fim! Isso significaria possíveis bloqueios do país dentro de seis meses, um ano, dois anos", disse Murer.

    A equação tem muitas incógnitas, dado que as vacinas não são iguais. Alguns imunizantes seriam mais eficazes que outros, por exemplo a vacina da Pfizer/BioNTech e Sputnik V, que são mais neutralizantes em relação às variantes atuais. Por sua vez, a vacina da AstraZeneca tem pouco eficácia contra a variante sul-africana.

    'Cegueira ideológica'

    O Brasil está passando por uma situação grave da COVID-19, com a média acima de 3 mil mortes. O professor e ex-presidente do Comitê Científico de Combate ao Coronavírus, Miguel Nicolelis, falou de uma "Fukushima biológica", "como um reator nuclear que teria desencadeado uma reação em cadeia e depois ficaria fora de controle".

    Se a perigosidade é tão grave, por que não fecharam as fronteiras mais cedo? Na segunda-feira (12), o ministro dos Transportes, Jean-Baptiste Djebbari, declarou que a manutenção das linhas aéreas com o Brasil era necessária "pelo direito". No dia seguinte, o chefe do governo desistiu durante a sessão de perguntas na Assembleia Nacional, anunciando a suspenção de todos os voos provenientes do Brasil.

    A decisão ilustra "uma cegueira ideológica" face ao controle das fronteiras, segundo Murer. O economista também afirmou que é uma reprodução da situação que "se passou em janeiro, fevereiro e março de 2020, quando perante a crise epidemiológica verificada, a França tinha deixado abertas suas ligações áreas com a China".

    Para evitar uma nova catástrofe, o ativista propõe adicionar novos métodos que o governo poderia usar, para não depender apenas da utilização de vacinas.

    "A imunidade de um indivíduo curado da doença é bem melhor do que a de um indivíduo vacinado", tornando a França mais impermeável a uma nova epidemia da COVID-19, segundo o interlocutor.

    "A melhor estratégia é tratar e curar antecipadamente através de hidroxicloroquina segundo o protocolo de Raoult. Ainda melhor seria usar a ivermectina que divide por quatro a letalidade do vírus. Isso o tornaria, com letalidade de 0,12%, tão perigoso como uma gripe e evitaria ao mesmo tempo as mortes e o confinamento", destacou Murer.

    O economista se baseia nas recomendações relativas ao uso de ivermectina do microbiologista Andrew Hill, da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, que propôs uma meta-análise. Esta mostra um aumento das chances de sobrevivência de 48% para 88%. Com a diminuição de carga viral e do número de infectados, "a epidemia desapareceria por si mesma e poderíamos voltar à vida normal", concluiu o economista Philippe Murer.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    pandemia, Brasil, França, vacinação, vacina, novo coronavírus, COVID-19
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