00:34 20 Setembro 2021
Ouvir Rádio
    Europa
    URL curta
    031
    Nos siga no

    Nesta quarta-feira (3), o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, enfrentou momentos de tensão no parlamento britânico, após ser questionado sobre a decisão do governo de cortar a ajuda humanitária ao Iêmen enquanto mantém a venda de armas para a Arábia Saudita.

    Os questionamentos foram levantados pelo líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, durante uma sessão televisionada em que o premiê responde perguntas dos legisladores britânicos.

    "A ONU [Organização das Nações Unidas] disse que o Iêmen enfrenta a pior fome que o mundo já viu em décadas. E o secretário-geral [da ONU, António Guterres] disse na segunda-feira [1º] que cortar a ajuda seria, em suas palavras, uma sentença de morte para o povo do Iêmen. Como o primeiro-ministro justifica a venda de armas para a Arábia Saudita e o corte da ajuda às pessoas que morrem de fome no Iêmen?", indagou Starmer.

    Na segunda-feira (1º), o governo do Reino Unido anunciou que, devido às dificuldades econômicas derivadas da pandemia da COVID-19, o país fornecerá apenas 87 milhões de libras (cerca de R$ 681 milhões) em ajuda humanitária ao Iêmen, um corte de 54% do valor esperado inicialmente. O Iêmen vive um conflito interno há sete anos com forte influência saudita, que realiza ataques contra grupos rebeldes iemenitas.

    A decisão do Reino Unido de cortar a ajuda humanitária, que o líder da oposição, Keir Starmer, descreveu como "inescrupulosa", gerou críticas, além dos oposicionistas, também de vários legisladores conservadores, assim como de organizações de direitos humanos.

    Garoto segura rifle durante ato do movimento houthi na capital do Iêmen, Sanaa, 30 de agosto de 2020 (foto de arquivo)
    © REUTERS / Khaled Abdullah
    Garoto segura rifle durante ato do movimento houthi na capital do Iêmen, Sanaa, 30 de agosto de 2020 (foto de arquivo)

    Johnson afirmou, no entanto, que o Reino Unido deu aos iemenitas um bilhão de libras (cerca de R$ 7,8 bilhões) desde o início do conflito, sete anos atrás, e tentou virar as críticas contra seu rival político, acusando-o de fazer da situação humanitária no Iêmen o foco da sessão parlamentar ao invés de tratar da pandemia no país europeu.

    Starmer ignorou os comentários e voltou a questionar o premiê por continuar a vender armas para a Arábia Saudita, que poderiam ser usadas no conflito no Iêmen, mesmo após os Estados Unidos decidirem suspender as vendas de armas para o governo saudita. 

    "Vendemos 1,4 bilhão de libras [cerca de R$ 11 bilhões] em armas para a Arábia Saudita em três meses no ano passado, incluindo bombas e mísseis que poderiam ser usados ​​no Iêmen [...]. Tenho que perguntar, o que seria necessário para o primeiro-ministro suspender as vendas de armas para a Arábia Saudita?", perguntou.

    O primeiro-ministro argumentou que o Reino Unido tem seguido "escrupulosamente" a orientação internacional consolidada sobre a venda de armas.

    Mais:

    Irã: mudança dos EUA sobre Iêmen pode ser 'passo para corrigir erros anteriores'
    Emirados Árabes Unidos desfazem base militar na África após saírem do conflito com Iêmen (FOTOS)
    Iêmen: conflitos em Marib resultam em morte de cerca de 50 combatentes, diz governo
    Tags:
    Reino Unido, Boris Johnson, Iêmen, Arábia Saudita
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar