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    Um drone militar do Reino Unido, do modelo usado para monitorar o canal da Mancha, caiu durante um treino no Chipre.

    Apesar de o incidente ter ocorrido ainda em outubro, as informações foram confirmadas apenas ontem (26), segundo o jornal The Guardian.

    Foi confirmado, porém, que o acidente em Akrotiri, uma base britânica em Chipre, não teve qualquer conexão com a recente implantação dos drones Watchkeeper no canal da Mancha, de acordo com a mídia.

    Ninguém ficou ferido por causa do incidente na ilha e o Exército, que é responsável pelo drone, disse que aceitará integralmente qualquer investigação sobre o sucedido.

    O programa de drones Watchkeeper tem tido vários problemas durante o seu desenvolvimento. Entre 2014 e 2018, houve pelo menos cinco acidentes registrados, e há alegações de que o drone é incapaz de voar em más condições climáticas.

    Originalmente adquirido para uso na guerra no Afeganistão e equipado com uma série de câmeras de inteligência e reconhecimento, estas aeronaves não tripuladas têm sido usadas pela Força de Fronteira do Reino Unido para patrulhar o canal da Mancha desde setembro, no quadro da Operação Devran. Porém, de acordo com um novo relatório, o uso altamente divulgado destes drones tem pouco valor prático, diz o artigo.

    Pescador de navio de arrasto apanhando o máximo que pode no Canal da Mancha até ao final do período de transição pós-Brexit
    © AP Photo / Michel Spingler
    Pescador de navio de arrasto apanhando o máximo que pode no Canal da Mancha até ao final do período de transição pós-Brexit
    "O uso de aviões não pilotados de tipo militar nas fronteiras é o início do uso de drones que esbatem os limites entre o policiamento militar e o policiamento doméstico", disse Chris Cole, diretor da Drone Wars UK, ao The Guardian. "À medida que o conceito de segurança de fronteira se estende da fronteira e se introduz ainda mais na vida cotidiana, as implicações quanto aos direitos começarão a ultrapassar rapidamente a questão dos imigrantes e a impactar em todos nós."

    Dan O’Mahoney, comandante da Força de Fronteira do Reino Unido , defendeu o uso dos Watchkeeper, pois o corpo militar está determinado a "acabar com as travessias do canal por pequenos barcos, facilitadas ilegalmente, que são perigosas e desnecessárias."

    "A vigilância aérea do canal da Mancha é uma parte vital desse trabalho, tanto em termos de proteção de vidas quanto de obtenção de provas vitais que podem apoiar processos criminais. Até o momento, neste ano, as autoridades de imigração prenderam 55 pessoas sob suspeita de facilitarem a travessia de pequenos barcos e obtiveram oito condenações", informou. Porém, O’Mahoney afirma que "a vigilância aérea é implantada apenas quando operacionalmente necessária."

    O site do Exército explica que o sistema Watchkeeper foi submetido a testes de voo rigorosos e é certificado para operar com segurança no espaço aéreo do Reino Unido.

    O novo relatório do Drone Wars mostra o uso cada vez mais difundido de drones por governos em todo o mundo, o que levanta questões legais, éticas e morais sobre como a tecnologia militar está sendo usada entre civis.

    O Drone Wars afirma que as propostas para abrir o espaço aéreo do Reino Unido ao uso irrestrito de drones podem permitir que grandes dispositivos de natureza militar com tecnologia de vigilância avançada vigiem constantemente as cidades britânicas.

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    Tags:
    Chipre, Reino Unido, Canal da Mancha, migração, fronteiras, drones
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