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    COVID-19 e o mundo no final de julho (43)
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    Quase um quarto dos infectados pela COVID-19 no distrito de Lisboa, capital portuguesa, corresponde a estrangeiros, principalmente de origem africana. Já no distrito do Porto, região norte de Portugal, 16% dos casos da doença são em imigrantes nascidos no continente americano, a maioria do Brasil.

    Os dados são de uma análise do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, em colaboração com o Ministério da Saúde português, que olhou para os números da pandemia no país entre os meses de junho e julho.

    A conclusão do estudo é a de que "os imigrantes estão a correr mais risco de se infectar proporcionalmente do que os nacionais portugueses", diz à Sputnik Brasil o coordenador do estudo, professor Henrique Barros.

    "Fomos verificar qual era a relação entre a proporção de imigrantes na população em geral e a proporção de imigrantes nas pessoas com infecção. Quer em Lisboa, quer no Porto, a população de imigrantes entre os infectados era muito maior que a população imigrante em geral", explica o pesquisador.

    A vulnerabilidade dos imigrantes está relacionada às condições socioeconômicas em que estão inseridos. "Muitos desses casos estão ligados a surtos, por exemplo, em locais de habitação, porque as pessoas habitam em condições de sobrelotação. Sobretudo apartamentos divididos", analisa Barros.

    Os dados foram apresentados em uma das reuniões estratégicas que reúnem, periodicamente, as principais autoridades de saúde e políticas do país. Ao final, o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, demonstrou preocupação. "É uma situação em que pesa não apenas o que já se supunha, o alojamento, mas a própria inserção das comunidades não nacionais, africanas, latino-americanas ou asiáticas, com as suas especificidades em termos de condições socioeconômicas", disse o presidente em entrevista coletiva.

    Residentes de Lisboa entram em ônibus em ponto da cidade, 26 de junho de 2020
    © Foto / Reuters / Rafael Marchante
    Residentes de Lisboa entram em ônibus em ponto da cidade, 26 de junho de 2020

    Dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) mostram que Portugal atingiu um número recorde de estrangeiros residentes em 2019. Já são mais de 590 mil, valor mais elevado registrado desde a criação do SEF, em 1976.

    Os brasileiros continuam na liderança. São 151.304 com autorização de residência em Portugal, número que representa um quarto de toda a população estrangeira do país e é o maior desde 2012. A segunda nacionalidade mais representativa, a cabo-verdiana, tem 37.436 residentes.

    Surtos da COVID-19 entre imigrantes têm sido recorrentes. No início deste mês, uma comunidade brasileira da cidade de Benavente ficou em isolamento depois de 22 casos confirmados da doença.

    No mês de abril, 136 de 169 refugiados que viviam em um hostel em Lisboa, a maioria de origem africana e asiática, foram infectados.

    O coordenador do estudo reforça que a análise não tem nenhuma relação com estereótipos de nacionalidades ou etnias. "Isto não discrimina, não estigmatiza ninguém, ao contrário. Se alguém tem que ser criticado por isso é o país, que não é capaz de proteger melhor os imigrantes", afirma o professor Henrique Barros.

    Durante o período em que vigorou o estado de emergência em Portugal, de março a maio, o governo decidiu regularizar temporariamente todos os imigrantes com processos pendentes para concessão de residência no país. A medida extraordinária queria garantir o acesso a serviços de saúde e apoios sociais e foi elogiada pela Comissão Europeia.

    O próprio órgão responsável, o Alto Comissariado para as Migrações, não garante que as facilidades vão continuar, mas reconhece que os imigrantes em Portugal precisam ter os direitos assegurados "para lá da pandemia", como explicou a chefe da entidade em entrevista no início deste mês.

    Tema:
    COVID-19 e o mundo no final de julho (43)

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    Tags:
    imigrantes, Portugal, COVID-19, novo coronavírus, pandemia
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