09:26 12 Agosto 2020
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    Em 2017, a empresa britânica Sepura foi comprada pela empresa chinesa Hytera, que foi banida pelos EUA por preocupações de que seus equipamentos possam ser usados para vigilância.

    Reino Unido continua usando equipamentos produzidos pela empresa Sepura para proteção de membros da família real, em particular os rádios utilizados por policiais, garantiu o tabloide Daily Mail neste domingo (19).

    Os sistemas e aplicativos são utilizados pelos serviços britânicos de ambulância e bombeiros nos aeroportos, apesar de a proprietária da Sepura, Hytera, ter sido incluída na lista negra da Casa Branca, que afirma que seu equipamento pode ser utilizado pelas autoridades chinesas para espionagem e vigilância, uma alegação que Hytera e Pequim negam.

    Após as reportagens da mídia, autoridades e especialistas exortaram o governo do premiê Boris Johnson a realizar uma revisão da Sepura e de seus dispositivos.

    "Se houver qualquer dúvida de que o equipamento fornecido à nossa polícia e às Forças Armadas comprometeria de alguma forma sua segurança, isto exige investigação urgente e ação necessária. Nossos aliados norte-americanos não teriam proibido esta empresa sem uma boa razão", afirmou Matthew Henderson, diretor de estudos asiáticos da Sociedade Henry Jackson.

    Malcolm Rifkind, ex-secretário britânico de Relações Exteriores, foi mais longe, afirmando que Londres deve rever todas as empresas chinesas que possam afetar a segurança nacional britânica.

    "A China mudou muito nos últimos meses, por isso precisamos olhar com novos olhos. O governo deveria tratar isso como uma séria responsabilidade. Há de olhar para uma empresa em particular, revisitá-la e ver se chega ao mesmo julgamento da última vez", assevera Rifkind.

    Foto de polícia do Reino Unido
    Foto de polícia do Reino Unido

    Em 2017, a Sepura ganhou um contrato de US$ 94 milhões (R$ 506,1 milhões) para fornecer 32.000 rádios para a Polícia Metropolitana de Londres. O acordo foi revisto por agências governamentais devido à propriedade da empresa e recebeu luz verde de Greg Clark, secretário de Negócios do Reino Unido.

    A Hytera concordou com a realização de verificações aleatórias do Ministério do Interior, do Ministério da Defesa e da agência de inteligência do Reino Unido, Sede de Comunicações do Governo (GCHQ, na sigla em inglês).

    A Hytera está entre as empresas de alta tecnologia, incluindo Huawei, ZTE, Dahua e Hikvision, que a administração do presidente norte-americano, Donald Trump, bloqueou a venda de produtos a agências governamentais, como o Departamento Federal de Investigação (FBI, na sigla em inglês) dos EUA.

    Hytera disse ao Daily Mail, no entanto, que vendeu seus kits para agências federais norte-americanas através de sua divisão dos EUA, a PowerTrunk, por causa de um acordo que esta última assinou com o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) há dois anos.

    Saga de empresas chinesas

    Na última semana, o Reino Unido proibiu a empresa chinesa Huawei de desenvolver a rede 5G no país. Londres permitiu inicialmente a participação da gigante das telecomunicações chinesa.

    No entanto, após meses de pressão da administração Trump, que advertiu o governo de Boris Johnson que fazer negócios com a Huawei poderia custar ao Reino Unido seu acordo comercial com Washington, algo que Londres precisa após o Brexit, o país britânico anunciou que não compraria o equipamento da empresa chinesa para sua rede 5G.

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    Tags:
    DHS, Departamento de Segurança Nacional dos EUA, Quartel-General de Comunicações do Governo (GCHQ), Ministério da Defesa do Reino Unido, Ministério da Defesa, Ministério do Interior do Reino Unido, Greg Clark, Forças Armadas do Reino Unido, Daily Mail, Huawei, EUA, China, Reino Unido
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