07:40 03 Julho 2020
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    Pandemia da COVID-19 no mundo no fim de junho (34)
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    Depois de dois meses de um confinamento exemplar e de ser classificado como o "milagre" do combate à pandemia pela imprensa internacional, Portugal retoma medidas restritivas em Lisboa e na região metropolitana da capital por novos casos confirmados de COVID-19.

    A partir da 00h desta terça-feira (23), voltam a ser proibidas aglomerações de mais de dez pessoas e o comércio passa a fechar às 20h, com exceção apenas para serviço de refeições em restaurantes. Também vão ser proibidos venda de bebida alcóolica em lojas de conveniência e consumo de bebidas em via pública.

    O governo vai estipular ainda o valor de uma multa para quem descumprir as medidas.

    "As forças de segurança vão reforçar significativamente a sua presença na rua, não só para a função pedagógica, que sempre têm exercido, mas também para autuarem [os infratores] em caso de necessidade", disse o primeiro-ministro, António Costa, depois de uma reunião com os representantes de Lisboa e das cidades de região metropolitana nesta segunda-feira (22).

    António Costa também puxou a orelha dos shoppings, exigindo mais rigor no controle das entradas e circulação interna. "Vão ser mais fiscalizados", disse o premiê.

    Outro setor que vai ter reforço de fiscalização é o da construção civil, em canteiros de obras e nos transportes dos funcionários, "tendo em conta a elevada prevalência de contaminação entre trabalhadores deste setor de atividade", explicou Costa.

    Mulher com máscara para se proteger do coronavírus em Lisboa, Portugal
    © AP Photo / Armando Franca
    Mulher com máscara para se proteger do coronavírus em Lisboa, Portugal

    Números preocupam

    Segundo o primeiro-ministro, o problema está concentrado em Lisboa e nas cidades de Loures, Amadora, Sintra e Odivelas. De acordo com os números da Direção-Geral de Saúde, os cinco municípios juntos somam 50% de todos os novos casos de COVID-19 registrados em Portugal nas últimas duas semanas.

    O boletim mais recente totaliza 39.392 casos da doença no país e 1.534 mortes. A taxa de letalidade global é de 3,9%, subindo para 16,8% entre pessoas com mais de 70 anos. De acordo com o governo, a capacidade dos hospitais para internação dos pacientes está controlada, ainda assim vai haver reforço de profissionais em algumas unidades.

    Com o início do verão na Europa, e o fim das restrições aéreas internas, a expectativa é de que haja um aumento no fluxo dos aeroportos. De acordo com a Diretora-Geral de Saúde, Graça Freitas, as orientações para controle de passageiros vão ser atualizadas e vai haver mais detalhamento nas informações recolhidas de quem chega. "O objetivo é saber onde é que aquele passageiro que veio a adoecer três, quatro, dois dias depois de desembarcar ia sentado e quem é que estava sentado perto dele, para podermos também rapidamente contactar e agir com agilidade", disse a gestora durante apresentação do boletim.

    Profissional de marketing que atua em Lisboa, a brasileira Ananda Garcia diz que as medidas não surpreendem. "Vejo pelas redes sociais pessoas que estão já fazendo festas mesmo, com bem mais de dez pessoas, e isso me preocupa. O povo português e os estrangeiros que vivem aqui se comportaram muito bem, mas agora, principalmente com o verão, estão relaxando muito. Não me surpreende que o governo volte com essas regras restritivas", diz à Sputnik Brasil. 

    Ananda concorda com as diretrizes das autoridades de saúde, para manutenção dos cuidados individuais. "Eu e o meu namorado estamos tentando manter o isolamento na medida do possível. Não estamos encontrando outras pessoas, só uma ou outra individualmente. Quando saímos para resolver coisas pontuais, notamos que as coisas na cidade estão bastante movimentadas, parece que a vida continua, só que de máscara", diz a brasileira.

    O secretário de Estado da Saúde chamou a atenção para as "responsabilidades individuais" durante a apresentação dos números. "Como já disse, desconfinar não é relaxar nem desresponsabilizar. Temos obrigação de continuar a cuidar uns dos outros. Ainda não passou, ainda não temos vacina e continua a haver o risco à saúde", disse António Lacerda Sales.

    Nos últimos dias, a confirmação de dois grandes eventos para Lisboa ainda este ano gerou repercussão. A UEFA escolheu a capital portuguesa para a fase final de jogos da Liga dos Campeões, em agosto, e o CEO da WebSummit, uma das maiores feiras de tecnologia do mundo, disse que o evento, previsto para novembro, vai ser realizado.

    No próximo dia 24, um Conselho de Ministros vai se reunir para avaliar a situação em conjunto em todo o país.

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    COVID-19, novo coronavírus, pandemia, Lisboa, Portugal
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