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    Acordo sobre delimitação das zonas econômicas exclusivas entre a Grécia e a Itália no mar Jônico há anos que estava para ser assinado, sendo um espinho cravado nas relações bilaterais.

    Grécia e Itália assinaram nesta terça-feira (9) um acordo de delimitação marítima. O documento foi rubricado em Atenas pelos chanceleres grego e italiano, respectivamente Nikos Dendias e Luidi Di Maio.

    Stelios Petsas, porta-voz do governo grego, descreveu o acordo como "um evento extremamente importante e histórico" por garantir às ilhas gregas jônicas uma zona econômica exclusiva, salvaguardando assim os direitos dos pescadores gregos.

    Por sua vez, o ministro italiano expressou satisfação pelo fato de as questões de turismo terem sido resolvidas, aproveitando o ensejo para observar que as propostas da Comissão Europeia para resolução da crise econômica devido à pandemia estão indo na direção certa.

    Contrapeso às pretensões turcas para o Mediterrâneo

    Kostas Ifantis, professor de Relações Internacionais da Universidade Panteão em Atenas, comentou o acordo em entrevista à Sputnik Grécia.

    "Todos os detalhes já haviam sido acordados há muito tempo, pelo que não há novidades", disse Ifantis, para quem o acordo será de primordial importância por servir de contrapeso às pretensões turcas, espelhadas em especial no memorando entre a Turquia e a Líbia sobre a delimitação das jurisdições marítimas no Mar Mediterrâneo.

    "A Grécia demonstra que encontra respostas para as questões pendentes e que suas ações se baseiam em uma interpretação correta do direito internacional e não na perspectiva turca", acrescentou o professor.

    O acordo demorou a ser assinado, apesar de suas cláusulas estarem há muito tempo estipuladas, devido à relutância transalpina, por receio que desse lugar a uma proibição de pesca do camarão vermelho no mar Jônico por embarcações italianas.

    O chanceler grego, Nikos Dendias, à esquerda, dá as boas-vindas a seu homólogo italiano Luigi Di Maio durante sua reunião no Ministério das Relações Exteriores, em Atenas, 9 de junho de 2020
    © AP Photo / Costas Baltas
    O chanceler grego, Nikos Dendias, à esquerda, dá as boas-vindas a seu homólogo italiano Luigi Di Maio durante sua reunião no Ministério das Relações Exteriores, em Atenas, 9 de junho de 2020

    "O acordo estava bloqueado por causa de problemas com direitos de pesca dos pescadores italianos. Até agora, os italianos estavam renitentes em assinar o acordo de delimitação porque acreditavam que se a Grécia estendesse suas águas territoriais para 12 milhas náuticas, isso os impediria de pescar nas águas até 6 milhas náuticas", disse Ifantis.

    O governo grego também não havia mostrado verdadeiramente grande interesse em assinar o acordo até agora. O que teria mudado para que ambas as nações chegassem a acordo?

    "Falta conhecer os detalhes. No entanto, tendo em conta a situação com a Turquia, a última coisa que nos deve interessar é saber onde os pescadores italianos estão pescando", observou Ifantis.

    Mais acordos na forja de delimitação de jurisdição

    Agora com acordo assinado, o principal problema que se põe à diplomacia grega é acelerar as negociações pendentes não só com a Albânia, mas, sobretudo, com o Egito, sobre os mares Jônico e Mediterrâneo.

    "Os albaneses provavelmente precisam mais da Grécia do que da Turquia para aderir à União Europeia", opinou o professor.

    Ao mesmo tempo, Kostas Ifantis refere que a Turquia está tentando jogar em antecipação, minando o processo, por temer que esteja iminente um acordo político com o Egito.

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