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    COVID-19 desafia mundo no início de junho (54)
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    Na corrida pela recuperação das economias globais depois da crise da COVID-19, Portugal pode oferecer uma ligação "privilegiada" entre a Europa e os Estados Unidos para empresas estrangeiras que decidam investir no país.

    A afirmação é do Partido Social Democrata (PSD), sigla de centro-direita que forma a maior bancada de oposição ao governo do primeiro-ministro António Costa, socialista, no Parlamento. O PSD apresentou, nesta quarta-feira (3), um conjunto de sugestões para a retomada da economia nacional, que tem entre as apostas a captação de novos investimentos estrangeiros para o país.

    Questionado pela Sputnik Brasil sobre as vantagens que Portugal pode oferecer para os investidores internacionais, durante coletiva de imprensa, o porta-voz do PSD ressaltou a posição "privilegiada" do país.

    "Se de fato se confirmar um processo que a COVID-19 pode ter iniciado, de maior proximidade das linhas de produção, Europa e Estados Unidos têm a oportunidade de se reindustrializar e, com isso, Portugal tem uma posição privilegiada do ponto de vista da ligação Europa e Estados Unidos", disse Joaquim Sarmento.

    Além disso, o partido destaca que o "capital humano de excelência" em diversas áreas, como a engenharia, também é um fator de atratividade e sugere criação de incentivos, fiscais e não fiscais. "Temos que atuar sobre as políticas do lado da oferta, quer do ponto de vista fiscal, simplificando, tornando menos complexo e, obviamente, atuando ao nível dos incentivos fiscais, e depois do lado não fiscal, reduzindo os custos, morosidade dos processos de licenciamento e de autorizações", explicou o porta-voz.

    Porta-voz e presidente do PSD durante apresentação das propostas, em Lisboa
    © Sputnik / Caroline Ribeiro
    Porta-voz e presidente do PSD durante apresentação das propostas, em Lisboa

    Investimentos industriais

    Portugal está com dois anos de recordes sucessivos na atração de investimentos estrangeiros. Em 2019, de acordo com o governo, os contratos somaram mais de € 1 bilhão (mais de R$ 5,7 bilhões), 9% de crescimento em relação a 2018. 

    No entanto, o porta-voz do PSD destacou que "nos últimos anos o investimento estrangeiro concentrou-se sobretudo no turismo e no imobiliário, não na indústria", e que o objetivo agora é "trazer grandes projetos industriais".

    O exemplo mais referenciado durante a apresentação das propostas foi o da Autoeuropa, fábrica da alemã Volkswagen que foi implantada em Portugal no início dos anos 90. Hoje, a empresa representa 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e responde por 75% de toda a produção automobilística nacional.

    "Se nós conseguirmos captar um, dois, três grandes investimentos como a Autoeuropa, nós mudamos completamente o perfil da economia portuguesa e particularmente da nossa balança de pagamento", disse o presidente do PSD, deputado Rui Rio, na coletiva.

    "Se esses investimentos conseguirem ir para locais mais abandonados, designadamente no interior do país, ainda melhor, seria vital para o futuro do país", completou o deputado.

    Além do Programa de Recuperação Económica, o PSD pretende apresentar um outro, de estabilização, quando houver mais clareza sobre a resposta da Comissão Europeia para a crise. O partido também aguarda para conhecer a solução do governo. O Conselho de Ministros deve aprovar, nesta quinta-feira (4), um plano de estabilização proposto pelo primeiro-ministro António Costa.

    "Vamos ver aquilo que é o output final dessa reflexão do governo, se é mais apostado na economia pública ou se é mais apostado nas empresas. Nós achamos que o fundamental são as empresas. São as empresas que criam empregos, são as empresas que são melhores ou piores no nível da produtividade. É assim que a economia funciona. Tem de haver algum investimento público, mas é um investimento público que deve ser complementar àquilo que é a atividade das empresas e um investimento público com grande efeito multiplicador, que arraste a economia", disse o líder da oposição.

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    Tags:
    novo coronavírus, COVID-19, pandemia, investimento, economia, Portugal
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