17:08 02 Julho 2020
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    A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deve começar a receber os primeiros respiradores de um total de 200 encomendados em Portugal. De acordo com o fabricante, 50 aparelhos seguem para o Rio de Janeiro nesta segunda-feira (25).

    Os respiradores vão ser utilizados no novo Centro Hospitalar para a Pandemia de COVID-19, unidade para tratamentos de alta complexidade inaugurada pela Fiocruz na semana passada.

    O projeto é do Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA). De acordo com Miguel Duarte, membro da diretoria da unidade, o objetivo é entregar os 200 respiradores, mais chamados de ventiladores em Portugal, até o final do mês de junho. "O desafio que nos foi colocado era se nós poderíamos equipar esse hospital, na medida em que não estava fácil adquirir ventiladores em nenhum sítio do mundo, designadamente no local onde vão todos, a China", diz o diretor à Sputnik Brasil.

    Cada respirador custa US$ 15 mil (cerca de R$ 81,9 mil), valor considerado baixo no mercado. De acordo com o diretor, a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais também avalia a compra. "Eles têm um procedimento público lançado para a aquisição de 500 ventiladores. O nosso cronograma de entregas permite que o CEiiA possa entregar a Minas Gerais 250 ventiladores antes mesmo do primeiro dia de entregas dos restantes cronogramas que receberam de outras fontes com propostas", diz Miguel Duarte.

    Respirador Atena, produzido em Portugal para o tratamento intensivo de infecções respiratórias agudas, como a COVID-19
    © Foto / Divulgação / CEiiA
    Respirador Atena, produzido em Portugal para o tratamento intensivo de infecções respiratórias agudas, como a COVID-19

    Projeto pioneiro

    Voltado para pesquisa e fabricação de produtos nas áreas da aeronáutica, automotiva e espaço, o CEiiA interrompeu projetos de médio e longo prazo para desenvolver o respirador Atena, projeto pioneiro em Portugal.

    "Achamos que era um projeto de elevada responsabilidade social desenvolver um ventilador que fizesse tudo o que os outros fazem, mas que fosse mais rápido de fabricar, mais simples de montar e menos caro de adquirir. Partimos para aquilo em que nós somos bons, que são engenheiros a pensar, a desenhar, a calcular e a conceber equipamentos de qualquer natureza", explica o diretor.

    A equipe do CEiiA foi orientada por uma equipe médica, que definiu todas as necessidades técnicas para os respiradores. Os equipamentos que vão para o Brasil são os primeiros a saírem da fábrica em Portugal.

    Dependência da China

    De acordo com o diretor, o objetivo do centro de pesquisa não é passar a produzir respiradores de modo permanente, mas, sim, ajudar a criar reservas do equipamento e contribuir para a alteração de um cenário internacional de dependência da China.

    "Os países europeus, americanos, o Brasil e outros da América do Sul habituaram-se, nos últimos 10 anos, a comprar mais barato. Para comprar mais barato tinha que ser na China, porque eram preços imbatíveis. Portanto os países deixaram de ter indústria na área da saúde, com raras exceções na área dos medicamentos. A lição que esses países, Portugal desde logo, estão a aprender é que temos que ser muito mais soberanos e independentes na aquisição de equipamentos e de material do qual dependemos para manter as pessoas com saúde e evitar que elas morram", diz Miguel Duarte.

    O diretor explica que a capacidade de produção do respirador avança à medida em que o CEiiA consegue descentralizar a produção de algumas peças para outras empresas em Portugal, o que tem contribuído para a recuperação econômica no país. O objetivo também é fazer parcerias internacionais. "Podemos inclusive falar em mecanismos que possam passar pela replicação das células produtivas no Brasil, incorporando indústria brasileira, parceiros brasileiros, pondo linhas de produção e montagem no Brasil."

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    Tags:
    COVID-19, China, saúde, ciência, pandemia, novo coronavírus, Portugal
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