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    Aliar tecnologia e solidariedade, essa é a missão do aplicativo Quero Ajudar. Criado por um casal brasileiro que mora em Portugal, a plataforma reúne pedidos de ajuda de quem está prejudicado pela pandemia e voluntários que querem lhes auxiliar.

    A motivação veio logo no início de março, quando os casos de contaminação pelo novo coronavírus começaram a crescer em Portugal.

    "Como a gente trabalha com tecnologia e tem muitas conexões de pessoas, quando nos vimos trancados em casa imediatamente pensamos no que poderíamos fazer. Era levar algo para a Internet, com credibilidade, de um jeito fácil, para que todos pudessem usar. Isso foi o que nos motivou e também ver, naquela época, como estava o cenário na China, onde havia autorizações para os voluntários que podiam circular nas ruas", conta à Sputnik Brasil a empreendedora Vanessa Caldas, cofundadora do aplicativo.
    Interface do aplicativo Quero Ajudar
    © Foto / Divulgação / Quero Ajudar
    Interface do aplicativo Quero Ajudar, criado por brasileiros para ajudar pessoas afetadas pela pandemia em Portugal

    Especialistas nas áreas de e-commerce e marketing digital, Vanessa e o marido desenvolveram o Quero Ajudar quase imediatamente.

    "Ele criou em dois dias o aplicativo. Depois eu me voltei para esse grupão que a gente tem de varejo aqui e perguntei quem topava. Portugueses e brasileiros se mobilizaram para fazer acontecer. Na primeira semana, tivemos mais de mil voluntários e não sei quantos pedidos de ajuda", diz Vanessa.

    Hoje, a plataforma já tem quase três mil voluntários registrados, disponíveis para ajudar em diversos serviços, desde passear com cães, ir ao supermercado e até prestar apoio emocional.

    Já o perfil de quem precisa de ajuda veio mudando com o passar dos dias e aumento da crise econômica. No início, a maioria das necessidades estava relacionada a pequenas atividades diárias, como ir à farmácia comprar remédios.

    "Quando aqui entrou no modelo de suspender as aulas, começaram a aparecer pedidos de equipamentos de tecnologia para os filhos. Muitas pessoas ajudaram com notebooks, iPads usados, que estavam parados em casa e foram pra uma criança estudar. A próxima etapa foi a falta de comida, que é devastadora", diz a criadora.

    Atualmente, 90% dos pedidos de ajuda são de pessoas que ficaram desempregadas e precisam de alimentação, situação que vai ao encontro ao apelo feito por diversas instituições no país.

    Nesta segunda-feira (11), o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, se reuniu com entidades de apoio social de pessoas carentes. "Em pouco mais de um mês nós vimos este número acrescido em 48 mil pessoas que procuraram a Cáritas pela primeira vez", disse em coletiva Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa, depois da reunião. "Outra novidade desta crise é que na anterior as pessoas vinham procurar-nos a pedir apoio para encontrar um novo posto de trabalho, agora vêm pedir alimentação", completou.

    "São pessoas que não estavam habituadas, nem nunca imaginaram ficar nessa situação e que hoje não vêem o fim a vista", disse Isabel Jonet, representante do Banco Alimentar. As duas entidades chamaram a atenção para a gravidade da situação e para a necessidade de se estabelecer um plano que envolva órgãos governamentais e oficiais para apoio aos necessitados.

    Depois de analisar o cenário, a equipe do Quero Ajudar decidiu suspender os novos registros para pedidos de ajuda para garantir que todos os que já estão cadastrados sejam atendidos. "E aí a gente consegue encerrar esse ciclo bem e espero continuar olhando de forma positiva para o que a gente está vivendo agora. Ainda é tudo incerto, mas a gente sabe que o que a gente conseguiu contribuir com conhecimento, tecnologia, e nossas conexões, a gente conseguiu fazer do início ao fim, com toda a dedicação do mundo", diz Vanessa.

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    Avanço da pandemia de COVID-19 em meados de maio (112)

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    Tags:
    voluntários, alimentação, tecnologia, Portugal, novo coronavírus, pandemia
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