22:13 09 Abril 2020
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    O governo português confirmou, na tarde desta segunda-feira (16), a primeira morte no país causada pelo COVID-19.

    A vítima é um homem de 80 anos, que estava internado há vários dias no Hospital Santa Maria, em Lisboa. A ministra da Saúde, Marta Temido, apresentou condolências à família, durante coletiva de imprensa, e ressaltou que o paciente apresentava "outras comorbidades" associadas.

    Portugal tem 331 casos de infecção confirmados. "Neste momento, estão 18 pessoas em cuidados intensivos. Vamos ver como vai ser o desfecho. Todos sabemos que a taxa de letalidade desta doença é superior a 2% em todo o mundo. Tudo se fará para que se tenha um desfecho positivo", disse a diretora-geral de Saúde, Graça Freitas.

    Poucos minutos antes da coletiva das dirigentes da saúde, o ministro da Administração Interna apresentou as medidas mais recentes no plano de combate ao novo coronavírus.

    A partir da noite desta segunda-feira, as fronteiras terrestres entre Portugal e Espanha passam a estar fechadas. Além disso, os voos entre os dois países também serão interrompidos. "Os controles se traduzirão no funcionamento exclusivamente de nove pontos de fronteiras. Todas as outras situações, que não sejam de mercadoria ou de trabalho, estão impedidas. Estão impedidas todas as circulações turísticas e de lazer entre os dois países", anunciou o ministro Eduardo Cabrita.

    Isolamento voluntário

    Esta segunda-feira também marcou o primeiro dia oficial de escolas e universidades fechadas nos país. "Na semana em que o governo não sabia se fechava ou não, o que conversávamos, eu e outras mães, é que havia urgência que fechassem logo. Muitas mães que têm mais possibilidades, como eu, que trabalho a partir de casa, já não mandavam mais os filhos para a escola. As outras só estavam esperando a decisão", contou à Sputnik Brasil a brasileira Iara Oliveira, mãe de três meninos.

    Iara Oliveira com os filhos Paulo e Filipe, na nova rotina, em casa, para evitar contágio pelo novo coronavírus
    © Foto / Arquivo pessoal / Iara Oliveira
    Iara Oliveira com os filhos Paulo e Filipe, na nova rotina, em casa, para evitar contágio pelo novo coronavírus

    Iara, que atua como digital influencer na área da maternidade pelas redes sociais, conscientiza outras mães sobre o momento, que considera delicado. Além de organizar uma rotina de estudos para os dois filhos que já frequentam a escola, procura diversificar as atividades da família mantendo o isolamento voluntário solicitado pelo governo. "Tenho quintal em casa, fica mais fácil não sentir tanto o efeito de se estar confinado, em quarentena. A gente vai lá fora e joga futebol, passeia com o cachorro, e dentro de casa inventamos brincadeiras. Preferimos que seja feito isso do que ser mantido o funcionamento normal das escolas. Deu medo toda essa situação", revelou.

    Para os trabalhadores, a rotina, mesmo no ambiente doméstico, está sendo mantida. Funcionária de uma faculdade, a brasileira Ana Carolina Santos agora divide o único computador da casa com os dois filhos adolescentes. "Essa dinâmica de trabalhar em casa com os filhos precisando do mesmo computador ainda vai ser um grande desafio, hoje só foi o primeiro dia. Hoje tentei adiantar o máximo do trabalho, deixar um usar depois, o outro conseguiu pelo próprio telefone, e no horário que eu tenho de almoço vou ver se eles conseguem se organizar para antes de eu começar a trabalhar", conta à Sputnik Brasil.

    Mesmo com o desafio da quarentena, Ana Carolina se mostra otimista e diz que as adaptações em casa vão ajudar. "Cumpro o horário normal de trabalho, ficando à disposição dos alunos. Tudo agora é feito em teletrabalho, não há mais nenhum atendimento presencial no gabinete. Também criamos um grupo no Whatsapp com os colaboradores, para trocarmos informações caso alguém adoeça".

    Na semana passada, o governo anunciou que os trabalhadores que precisam ficar em casa vão receber apoios financeiros, sejam contratados ou autônomos.

    Além disso, para reforçar a necessidade de quarentena voluntária, estão proibidas aglomerações com mais de 100 pessoas, consumo de álcool na rua, funcionamento de bares depois das 9 horas da noite. Serviços públicos e outros essenciais, como os relacionados ao fornecimentos de água e energia, mantém atendimento por telefone e online.

    Presidente da Assembleia da República de Portugal, Ferro Rodrigues, fala sobre decreto de Estado de Emergência no país
    © Sputnik / Caroline Ribeiro
    Presidente da Assembleia da República de Portugal, Ferro Rodrigues, fala sobre decreto de Estado de Emergência no país

    Atualmente, Portugal está em "situação de alerta", válida até o próximo dia 9 de abril. No entanto, na noite deste domingo (15), o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou que convocou uma reunião do Conselho de Estado para a próxima quarta-feira (18). O motivo é avaliar se será decretado o Estado de Emergência no país.

    O presidente da Assembleia da República, deputado Ferro Rodrigues, explicou que a decisão do Conselho ainda será votada pelo Parlamento. "O Estado de Emergência tem diversas configurações possíveis, não é uma coisa que se possa votar cegamente. Portanto, espero que quando chegar aqui ao Parlamento a autorização pedida pelo Senhor Presidente da República, ouvido o Senhor Primeiro-Ministro e o Governo, que venha claramente explícito quais são as consequências para as pessoas. Sem conhecer a configuração não posso dizer mais nada, a não ser que iremos votar com a urgência que será necessária", afirmou em coletiva de imprensa.

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    Europa, novo coronavírus, Portugal
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