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    Coronavírus se espalha pelo mundo (498)
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    Economistas da ONU alertaram nesta segunda-feira que o surto do novo e mortal coronavírus poderia custar à economia global entre US$ 1 trilhão e US$ 2 trilhões neste ano e exortou governos a aumentar os gastos para mitigar seu impacto.

    Um relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio, Investimento e Desenvolvimento (UNCTAD) concluiu que a epidemia COVID-19 levará alguns países à recessão e retardará significativamente o crescimento da economia mundial como um todo.

    De fato, o surto, que já infectou mais de 110.000 e matou mais de 3.800 pessoas em todo o mundo, deve empurrar o crescimento econômico global para bem abaixo de 2,5% ,"muitas vezes considerado como o limiar da recessão para a economia mundial", afirmou a UNCTAD.

    "Prevemos uma desaceleração da economia global para menos de 2% neste ano, e isso provavelmente custará US$ 1 trilhão" em comparação com a previsão de setembro, alertou Richard Kozul-Wright, chefe da divisão de globalização e estratégias de desenvolvimento da UNCTAD.

    "A verdadeira questão agora é se essa previsão será otimista", disse ele a repórteres em Genebra, acrescentando que, no pior cenário, até US$ 2 trilhões seriam perdidos.

    Perda da confiança do consumidor e do investidor, desaceleração da demanda global, aumento da dívida e ansiedade generalizada do mercado são apenas alguns dos problemas que embaçam o horizonte econômico global.

    Modelo estruturalmente representativo de betacoronavírus que é o tipo de vírus ligado à doença COVID-19, causada pelo novo coronavírus
    © REUTERS / Comunicação Científica NEXU
    Modelo estruturalmente representativo de betacoronavírus que é o tipo de vírus ligado à doença COVID-19, causada pelo novo coronavírus

    O mundo corre o risco de sofrer uma "insolvência generalizada", alertou a UNCTAD, acrescentando que "não é possível descartar um grande e repentino colapso dos valores dos ativos que marcaria o fim da fase de crescimento deste ciclo".

    No cenário mais dramático, as economias mais atingidas seriam os países que dependem fortemente das exportações de petróleo e outras mercadorias, bem como aqueles com estreitos laços comerciais com a China e outros países atingidos pela primeira vez pelo surto, descobriram os economistas da ONU.

    A duração e a profundidade da crise dependerão da extensão do vírus, do tempo necessário para encontrar uma vacina, do nível de ansiedade na população e do impacto das medidas tomadas para controlar a epidemia nas economias, segundo o relatório.

    Considerando que os bancos centrais sozinhos não serão capazes de enfrentar a crise, a UNCTAD pediu coordenação internacional entre as principais economias do mundo.

    A "resposta política macroeconômica adequada precisará de gastos fiscais agressivos com investimentos públicos significativos", afirmou a UNCTAD, pedindo infusões de dinheiro na economia da assistência, bem como "apoio social direcionado a trabalhadores, empresas e comunidades afetadas negativamente".

    "Os governos precisam gastar neste momento a tempo de evitar [...] um tipo de cenário do dia do juízo final, no qual a economia mundial cresce apenas [...] 0,5% este ano", disse Kozul-Wright.

    Nesse cenário, ele disse, "você está falando de um impacto de US$ 2 trilhões na economia global".

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    Tags:
    saúde, recessão, comércio, economia, coronavírus chinês, novo coronavírus, Europa, Estados Unidos, Brasil, Mundo
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